Pesquisar este blog

terça-feira, 30 de novembro de 2010

momento

enquanto eu fiquei alegre, permaneceram
o bule azul com um descascado no bico,
uma garrafa de pimenta pelo meio,
um latido e um céu limpidíssimo
com recém-feitas estrelas.
resistiram em seus lugares, em seus ofícios,
constituindo um mundo para mim, anteparo
para o que foi um acontecimento:
súbito é bom ter um corpo pra rir
e sacudir a cabeça. a vida é mais tempo
alegre do que triste. melhor ser.



(salve adélia prado)

tome nota

...a independência de Juazeiro não teria acontecido se para isso não houvesse concorrido uma conjunção de fatores.Além do justo reconhecimento 'a iniciativa dos juazeirenses natos representados pelo major Joaquim Bezerra de Menezes e do engajamento dos demais participantes, mais tarde sobre a liderança do Padre Cícero e da bandeira erguida pelo combatvo jornal O Rebate.


Leiam a História Da Independência De Juazeiro Do Norte

de
Daniel Walker

confissões

eis-me aqui
um poeta vegetativo
as pessoas passam
meus versos morrem
só eu fico
sozinho
concreto
nu e primitivo
no lodaçal do tempo

meu grito é tardio
sombrio
como essa escassa luz
que me doi a vista

é escondido

minha putice é esta
bruta
animal
capaz da morte
e nisso fico preso

tô sabendo de mim
do meu mal
e até da úlcera canônica
que tortura o meu duodeno

tô sabendo das minhas

que eu só sei meias palavras
do medo de ser preso
que não consigo te olhar nos olhos
do meu atraso sexual

eu sou jogado no mundo
talvez voce poderia me achar
num brilho que cega o olho
ou numa lata de lixo

bem que eu queria invadir o espaço
porém, estou nu.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

aos amigos

vcs que por aqui encontro
no grito de cada poema
A cada comentário
tecido
a cada palavra dita
vai aqui o meu apreço
vai aqui o meu abraço.
Um beijo
um pedaço de queijo.

cícero sincero

cabôco disisperado

dotô,mi incine uma coisa
queu nunca pude aprendê
Ou é pecado inciná
Lê a quem num sabe lê
Mi incine eu lê as praca
apregada nas istaca
pula bêra das istrada
pra quando eu fô viajá
num prisiZá preguntá
essas coisa aos camarada.

Mi incine eu lê os nome
das penção qui tem nas rua,
pra qundo eu for me arranxá
num pidí ajuda sua
Mi incine seu dotô
Andá no mundo sem medo
Tirá carta de chofé
e deixá de assiná papé
Cá carapua os dedo


(salve o mestre chico pedrosa)

insignificâncias

exibirei a série de cores da minha imaginação como a cauda de um pavão,
entregarei minha alma a um enxame de rimas desconhecidas.
quero ainda ouvir nas colunas dos jornais rezingar
aqueles
que com focinho zurzem as raízes
do carvalho que os alimenta.


(vladimir maiakovski)

Cristo no Madeiro

Cheguei perto de Cristo no Madeiro
e perguntei:__O que estais fazendo ai
Uma voz respondeu dum nevoeiro:
Até hoje não sei nem entendi,
Me trouxeram arrastado pelas ruas
me pregaram nesta madeira crua
e hoje vago entre nebulosas
Sou aquele menino da cocheira
que hoje vive pregado na madeira
pelas mãos imbecis pecaminosas.

Nestas mãos cravejadas a martelo
e neste corpo pedente sobre a cruz
observam-se as marcas do fragelo
que sofri por ter nome de Jesus
Vim ao mundo para remir pecado
e por amor acabei crucificado
ladeado por dois salteadores
'a direita, um pedia pra salva-se
e 'a esquerda, um pedia pra livrar-se,
e são assim até hoje os pecadores



(salve o meste chico pedrosa)

sábado, 27 de novembro de 2010

Amor ao Rio

agora que sangras pra valer,
teu sangue é fruto
de erros do passado,Rio
Tão belo
e por tanto tempo abandonado
quando nas mãos de pífios
governantes.
Amo-te Rio,
mesmo não te conhecendo
e de ti
apenas sabendo ao longe.
Não é o Rio apenas
que sangra.
Sangra o povo brasileiro
nas balelas impressas
do discurso oficial.
Sangram nossos filhos
ao açoite das drogas
neste país da mentira oficial.
Amo o Rio
como tambem amo
todos os podres do nordeste tragados
pelo crack
e pela omissão.
O Rio
sangra
como há muito tempo
sangra
toda nação

Salve Neruda

para meu coração teu peito basta,
para que sejas livre , minhas asas.
De minha boca chegará até o céu
o que era adormecido na tua alma.
Mora em ti a ilusão de cada dia
e chegas como o alföjar 'as corolas.
Escavas o horizonte com tua ausencia,
eternamente em fuga como as ondas.
Eu disse que cantavas entre vento
como os pinheiros cantam, e os mastros
Tu és como eles alta e taciturna.
Tens a pronta tristeza de uma viagem.
Acolhedora como um caminho antigo,
povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Despertei e por vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

a última estação

há cem anos
na estação de trem de Astapovo
Lev Tostoi
dava fim a sua fuga

aquele graveto verde
mágico
enterrado
por ele e o irmão Nicolai
nos arredores de Iásnaia Poliana
não legou-lhe o paraiso
e nem fez todos os homens felizes
(como assim sonhou o conde Lev)

Ah! Tostoi!
o buraco é mais embaixo.
Grande metáfora
aquela estação,a última, de sua  solidão eterna.
Aos diabos com a igreja
e a usura dos homens!

Há anos
tambem enterrei o meu graveto verde
no fundo do quintal da minha infância
 não me fiz feliz
tão pouco vi
esse estado estampando na cara
dos homens

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

cogito

eu sou o que sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do possível

eu sou com eu sou
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço e mim


eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim


  (salve torquato pereira de araújo neto)

'a flor da pele

meia noite
os ponteiros se tocam no futuro
no ar
frio
e medo
Esta cidade cheira a latrina:
brigadeiro, paulista, ipiranga
luzes ao longe
bëbadas
labirinto fluorescente
no sonämbulo céu
de setembro
truvo guardião
de nada
manto espesso
sobre o lixo das calçadas
Olhos
läminas
fumaça
lama
Nas esquinas há sangue
e hirtos assassinos
...por enquanto quieto
formigueiro
(explodirá a última madrugada)
como cães raivosos
os homofóbos
atacam no coração da cidade.
__onde o paraiso
__ cadë consolação
Meu Deus o zoológico!
O intransponível!
Eis a vida labirinta
tudo aqui é infinito

até o ovo que gora

litoral

Cidade em armas, rabiscada.
Cheiro de suor morto 'a luz latejante
da sirene, com sonoplastia feita
de rumores,dos sustos curtos sob o cerco
das amontoadas montanhas atormentadas
não pelo raio, nem por nuvens pretas
ou chuva de pedra, trovoada, tempestade
A natureza, num instante sai do lugar
da margem do risco que o mapa permite:
nada, como um dia depois do outro, nada.
O insulto do azul automático reina
absurdo e indeferente, e sugere
sol, férias, verão, que ocorrem paralelos
ao desastre deste dia intransitável:
na calçada, calçada com corpos
no sinal vermelho coagulado em cima
dos malabaristas do mal-estar
diante dos corpos de caras amarradas
nas praias, de mar impróprio

terça-feira, 23 de novembro de 2010

agora

agora sim
luiza está comigo
bem aqui pertinho do peito
no silencio
brando da noite
luiza comigo está
entre palavras
versos
vaga-música
entre uma batida
e outra
do meu peito
luiza está

apelo do poeta 'as autoridades competentes sobre a fatídica sina do sertanejo

Por que oprimir um povo
que já nasceu com a injustiça
de morrer
sem nunca ver o mar

mulher

De saia flutuante
Maria, onde vais tão de repente

ou vais ao rio lavar a rede, ou vais 'a esquina vender a alma
alma, que alma
quem vende o que já não lhe pertence
De Antonio, de José, de Pedro
Maria dos peões,Maria sem um peão.
Maria que de flutuante tem a alma e as saias.
Dona  menina, como vencer as ondas deste Araguaia
quando as ondas de dentro já romperam todas as barragens
e inundaram todas as comportas!
Maria das marias que grita na praia!
Maria, Maria não vais de repente.
Ou vais atar a rede ao rio, ou rio não há

Dona menina, quem fostes
Maria sem saias flutuantes, Maria das marias, dos peões ,das ondas,
das esquinas, das praias!
Maria que atou a rede nas ondas do rio e dorme placidamente





    (salve ricardo rezende)

a saudade aperreia

A saudade
aperreia outra vez


Quem me substituirá
na compra diária do pão e leite
na Panificação Pinheiro

Por isso
trago no bolso da camisa
uma lágrima recolhida 'as pressas
na concha de minha mão

o calo do vinho

Mas Liber chama seu poeta, ele tambem protege os amantes e favorece os amores que a ele próprio inflamam


      Ovídio



O adeus dos sonhos



Os sonhos iam viajar. Helena ia até a estação de trem.
Da plataforma, dizia adeus aos sonhos com um lencinho.

A função da arte


Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
  Viajaram até o sul.

  Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.

    Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar,
o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta imensidão do mar, e tanto o seu fulgor,
que o menino ficou mudo de beleza.
   E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando pediu ao pai:
    __Me ajuda a olhar!



       (eduardo galeano)

salve mia couto

* eu não tenho coração para adeuses.


* __ Tens medo de fazer amor comigo
__ Tenho__respondeu ele.
__Por que sou preta
__Tu não és preta.
__Aqui sou.
__Não,não é por seres preta que tenho medo.
__Tens medo que eu esteja doente...
__Sei prevenir-me.
__É porque então
__Tenho medo de não regressar. Não regressar de ti.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

kassab e os artistas

não é fácil vida de artista:
ser palhaço estátua
malabarista.
no circo pode
só não pode
na Paulista.
daqui a pouco
será proibido
transeuntes,
pois podem gastar
o cimento das calçadas.
daqui a pouco
Kassab vai proibir
a luz do sol.
meu Deus como
é biltre e idiota
o alcaide
de San Pablo!

a pequena morte

não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que doi. Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebra-nos faz por juntar-nos, e pedendo-nos faz por encontrar-nos e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem, mas grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.




      (salve eduardo galeano)

domingo, 21 de novembro de 2010

soluço como o do mar

eu vou cantar baixinho ao pé do seu ouvido uma canção
estranha!
mas exijo que um grande silencio se faça entre nós dois...
__um silencio como o que desce sobre a minha vida
quando os teus olhos  se debruçam sobre mim.
escuta,meu amor:
melhor seria que o portador do meu recado fosse o vento!
só ele é bastante brando para conduzir os meus pensamentos
invisíveis...
__os meus lindos pensamentos frágeis como o teu ser!
porém, para mandar sobre os ventos, preciso seria
que eu fosse um deus
__eu que na vida nem sequer pude ser um demônio!
mas, ai, que aquilo que eu te queria dizer se transformou

num grande soluço...
um soluço como o do mar
que vai de canto a canto do mundo...
.........................................................
ouçamos as vozes do mar, meu amor!






      (salve mestre ascenso ferreira)

a infinita fiadeira

a aranha
ateia
diz
ao aranho
na teia:
o nosso amor
está
por
um fio!



...e os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia. Até que um mais -velho, se lembrou. que houvera um tempo, em tempos de que já perdera  memória, em que alguns se
ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses poucos rentáveis produtos__chamados de arte__ tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece.




                (salve mia couto)

a morena do twitter

por ti geme
a minha alma sertão
meu coração desanda
em serena serenata
quando pinta na
minha timeline
a morena do twitter

sábado, 20 de novembro de 2010

instantes

se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
não tentaria ser tão perfeito, relaxaria  mais.
seria mais tolo aonda do que tenho sido, na
verdade pouca coisa levaria a sério.
seria menos higiënico.
correria mais riscos,viajaria mais, contenplaria
mais entardeceres,subiria mais montanhas,
nadaria mais rios.
iria a mais lugares onde nunca fui,tomaria
mais sorvete e menos lentilha,teria mais problemas
reais e menos imaginários.
eu fui dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada momento dessa vida.
claro que tive momentos de alegria.
mas, se pudesse voltar a viver trataria de ter
só bons momentos.
porque, se não sabem,disso é feita a vida,
só de momentos, não percas o agora.
eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termömetro,
uma bolsa de água quente,um guarda-chuva e um para-quedas.
se voltasse a viver viajaria mais leve.
se eu pudesse voltar a viver,começaria a andar descalço
no começo da
 primavera e continuaria assim até o fim do outono.
daria mais volta na minha rua,contemplaria mais amanheceres,
brincaria mais com as crianças,se eu tivesse outra vez
uma vida pela frente.Mas já viram,tenho 85 anos
e sei que estou morrendo


(dizem que é de jorge luis borges)

Trio Esperança-Rua Ramalhete

segunda canção do beco

teu corpo moreno
é da cor da praia.
deve ter o cheiro
que tem ao mormaço
a areia da praia.


teu corpo moreno
deve ter o gosto
de fruta de praia.
deve ter o travo,
deve ter a cica
dos cajus da praia.

não sei, não sei, ma s
uma coisa me diz
que teu corpo magro
nuca foi feliz.



(salve manuel bandeira)

poema do beco

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do hori-
                                                                               te

__O que eu vejo é o beco



    (salve manuel bandeira)

vire a página

o poeta é um gradíssimo filho-da-puta
idiota
biruta
besta quadrada
(digo isso com todo respeito que tenho pela laia)
enquanto perdem tempo
sonhando no poema
a vida lhes dá uma porrada


eis aí meu chapa
a primeira verdade do poema
a primeira mentira do poeta



in Labirinto
poemas 'a flor da pele

cicero gomes

Deus e o Poeta

se eu falar
que o poeta come vidro
tem nëgo que acredita
e mais ainda
que o poeta conhece Deus
e até twittou com ele
e foi 'a lua antes que os astronautas
tem menino que não duvida, ah! se tem.
se eu falar em praça pública
que o poeta tem oito vidas
e foi o primeiro homem a mentir
o povo todo estára comigo

o poeta
vire a página

desejo

esqueço todo o enredo
anseio por algum antigo sentimento
que reaqueça o ambiente
e me esqueça por algum tempo
ao alcance de tuas mãos





(ana salvagni)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

queria que voce voltasse

queria que voce
voltasse com aquele sorriso largo
e tirasse a lama da minha alma

e enchesse a casa toda
com sua alegre displicëncia
e pusesse em desordem
os objetos do dia

queria que voce voltasse
assim sem hora marcada
para transbordar melhor
a alegria

...ah! como eu teria tempo
para ouvir tuas maluquices
nos estilhaços da noite

vem!
volta logo
que já me sobram
desamparos
e abandonos

cruzada

Araguaia
            Alagoas
                  Thainan
Wãpura
Eh Lanna
             Amayi
              Apoena
  rio e mortre
  mar e sonhor
         vida cruzada

Murici

amar a quem


...aos passarinhos
         que são livres e podem voar

pense

cada momento
tem o tamanho
do eterno

Porto de Pedras

porta do sol
morada de areias desertas
mar manso
solidário
soliítario
de peixes-vidas
Porto de Pedras
de ondas
arrefices
praias encoqueiradas
brisas marinhas
Porto de Pedras
com suas casinhas
tímidas
desgastadas de maresia
de ruazinhas apertadas
descalças
Porto de Pedras
cidadizinha calminha
refúgio de velhos pescadores
contadores de estórias do mar
Porto de Pedras
brinquedo de meninas
levadas
lavadas de sol
Porto de Pedras
de tiradores de cocos
de cantadores de cocos
de curtidores de couros
                       e sonhos

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

cinema

__Mas D. Nina,
aquilo que é o tal de cinema

O homem saiu atrás da moça,
pega aqui, pega acolá,
pega aqui, pega acolá,
até que pégou-la.
Pegou-la e sustentou-la!
Danou-lhe um beijo,
danou-lhe um beijo!...

Depois entram pra dentro dum quarto!
Fëz-se aquela escuridão
e só se via o lençol bulindo...
...........................................

__Me diga uma coisa,D. Nina:
isso presta pra moça ver..


Filosofia


Hora de  comer __comer!
hora de dormir__dormir!
Hora de vadiar__vadiar!



Hora de trabalhar
__pernas pru ar que ninguem é de ferro!



   (salve o mestre ascenso ferreira)
       

predestinação

__Entra pra dentro, Chiquinha!
  Entra pra dentro, Chiquinha!
No caminho que voce vai
voce acaba prostituta!

E ela:

__Deus te ouça, minha mãe..
Deus te ouça...



     (salve o mestre Ascenso Fereira)

trem de alagoas

o sino bate,
o condutor apita o apito,
solta o tem de ferro um grito,
põe-se logo a caminhar...

__vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...

mergulham mocambos
nos mangues molhados
moleques mulatos,
vëm vë-lo passar.

__adeus!
__adeus!

mangueiras, coqueiros
cajueiros em flor,
cajueiros com frutos
já bom de chupar...

__adeus, morena do cabelo cacheado!

mangabas maduras,
mamões amarelos,
mamões amarelos
que amostram, molengos,
as mamas macias
pra gente mamar...

__vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...


na boca da mata
há furnas incríveis
que em coisas terríveis
nos fazem pensar:

__ali mora o Pai-da-Mata!
__ali  é a casa das caiporas!

meu Deus! já deixamos
a praia tão longe...
no entanto, avistamos
bem perto outro mar...

danou-se! se move
se arqueia, faz onda...
que nada! é um partido
já bom de cortar...

cana-caiana
cana-roxa,
cana-fita,
cada qual a mais bonita,
todas boas de chupar...

__adeus, morena do cabelo cacheado!

__ali dorme o Pai-da-Mata!
__ali é a casa das caiporas!

__vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...


(salve o mestre Ascenso Ferreira!)

Ytxala

o berocan* voce não viu,
Karajá olhando tori** com os olhos de fogo
não,voce não viu
a graça
 branca rubricando o ar.
voce nem viu
o pör do sol mais lindo da vida
voce não viu
(ali no Araguaia)
as estrelas brilham mais.
voce e sua velha mania
de reunir ruas
e amigos
não teve nem tempo para o silencio.
sorveu o veneno da noite
e as frias horas madrugadas.
suas mãos grandes mãos
pareciam abarcar os sonhos.
sua voz suave
a nos encantar
no insulmo do azul
do dia.
 queria um dia te levar
a conhecer Ytxala***
mas Retorancã****
não tendo outra tainá disponível
de mim te roubou pro céu.




*berocam, rio araguaia
** tori, homem branco
*** ytaxa, aldeia karajá
**** retorancã, deus karajá

Salve Minha Couto e Suas Frases

* a saudade é um morcego cego que falhou o fruto e mordeu a noite.

* A terra é página de Deus.

*Quando se faz amor assim, de paixão total, fica-se longe
das palavras. O encantamento é uma coisa que tem  o silencio por teto.

* O problema da solidão é que não temos ninguem a quem mentir.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

salve mia

...mas a paixão é coisa que morre mesmo antes de se extinguir, tão sorrateira que nem lhe
notamos enterro nem velório. No jejum do coração quem emagrece é a alma. Até
que o céu perde o cheiro, o tempo não tem sabores e a vida se deslocará.


          in A Outra
                 Mia Couto

Distribuição da Poesia

Mel silvestre tirei das plantas,
sal tirei das águas, luz tirei do céu.
Escuta,meus irmão: poesia tirei de tudo
para oferecer ao Senhor.
Não tirei ouro da terra
nem sangue de meus irmãos.
Estalajadeiros e banqueiros
sei fabricar distancias
para vos recuar.
A vida está malograda,
creio nas mágicas de Deus.
Os galos não cantam,
a manhã não raiou.
Vi os navios irem e voltarem.
Vi os infelizes irem e voltarem.
Vi os homens obesos dentro do fogo.
Vi ziguezagues na escuridão.
Capitão-mor onde é o Congo
Onde é a ilha de São Brandão
Capitão-mor que noite escura
Uivam molossos na escuridão.
Ó indesejáveis, qual o país,
qaul o país que desejais
Mel silvestres tirei das plantas,
sal tirei das águas, luz tirei do céu.
Só tenho poesia para vos dar.
Abancai-vos, meus irmãos.


(Jorge de Lima)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

dos bares, o saber

há um falar alagoano
que nos bares a vida pulsa
com seu pulsar mais sincero

há um dizer nordestino
que cada bar tem sua fala
seu ritmo rito cumplicidade
e a complacëncia do dono
para arquivar no prego
a tonta conta

dizem as boas línguas
que prego de bar a conta
envelhecida não fica
e sim dita esquecida

afoguem freud, torturem reich
fora jung aos diabos com lacan
morte aos livros de auto-ajuda
desintegrem a melancolia
o baixo astral,a terapia

tome um chopp e vá 'a luta
que a vida pulsa nos bares
no aconchego dos amigos
no sorriso dos confrades

DA MATA 'A CIDADE

ruas planas de asfalto
que como os negros
pisadas
cruzam
se entrecruzam
e se abraçam em cada canto
pálidos edifícios ousados
tentam roubar o céu

ruídos
gases assassinos
estúpidas geometrias
agridem meus olhos sombrios

onde a mata
onde o rio

...e eu que num sö dos que adula
vim foi da foice e da faca
canto de cara mia bula
___óia seu mundo ,babaca!
ocë que pensa que me anula
coa sua soberba de jaca
pode ficar co a sua gula
sua zoada véia de matraca.
feito esses fio caçula
fujo de tu,da tua taca
enquanto ocë só regula
quá cobradö na catraca
da goela um riso me pula
zombo de tu iguá macaca:
tá escondidim na matula
minha farofa de paca.

cúmplices do extermínio
teus alicerces
escondem traiçoeiros
fósseis dos Tamoios
araras emudecidas
cinzas de pau-brasil

onde o ouro
onde o rio
onde o cio

...pode vim, vem sua peste,
cë que pensa que me cala
sö cabra macho do agreste
resorvo nas leis ou na bala
num söde prosa ou intriga
mai num injeito uma briga
cë que põe tudo na linha
esbarra que eu berro e te falo
tu sobe em mim como um galo
mai desce feito galinha


pelos teus calabouços
circulam massas formiguentas

tuas asfixias
esterilizam gradativas

...até o mar lá se some com seu ar fugigio

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Minas Gerais - Milton Nascimento

cravo minha alma em minas
com segredo e silencio
nesta montanhas
de beleza
e assombro
Minas
por te
minha gratidão
e em teu solo
sagrado
meu sangue

está
pétreo
no bronze de
de tuas entranhas

Anima - Milton Nascimento

QUEM SABE ISSO QUER DIZER AMOR - MILTON NASCIMENTO

poema relativo

vem,ó bem-amada
junto 'a minha casa tem um regato
(até quieto o regato).´
não tem pássaros que pena!
mas os coqueiros fazem,
quando o vento passa,
um barulho que 'as vezes parece
bate-bate de asas.

supõe, ó bem-amada,
se o vento não sopra,
podem vir borboletas
'a procura das minhas jarras
onde há flores debruçadas,
tão debruçadas que parecem escutar.

todos os homens tëm seus crentes,
ó bem-amada:
-os que pregam o amor ao próximo
e os que pregam a morte dele.

mas tudo é pequeno e ligeiro no mundo,
ó amada.
só o clamor dos desgraçados
é cada vez mais imenso!


vem, ó bem amada.
junto 'a minha casa
tem um regato até manso.
e os teus cabelos podem ir devagar
pelos caminhos:
-aqui não há inquietação
de se atravessar o asfato.

vem, ó bem-amada,
porque como te disse
se não há pássaros no meu parque,
pode ser, se o o vento
não soprar forte
que venham borboletas.
tudo é relativo
e incerto no mundo.
também tuas sobrancelhas
parecem asas aberta.




(jorge de lima)

hoje

hoje eu estou com meus
blues
travo amargo
na garganta
sem o chão
da esperança
hoje
eu
estou sem sentido
e na outra margem
do rio
hoje
perdi a chave
de casa
fiquei preso
na rua
mas sou amigo
dos cachorros

Internet Coco - Mácleim



esse cara aí do violão
correu o mundo com seu som
fez dueto com hermeto
e aprontou no velho mundo.
esse cara aí do violão
é meu amigo maiculino.
__mais respeito! é Mácleim__
é pra ele eu tiro
o chapéu.

colheita

um pingo de lua esquiva
um brilho de esparsas estrelas
por entre as frestas da porta
no silencio adrede das formas

alinhavo

meu pai
trabalhava a cangalha
em silencio
sob a luz do candeeiro
e
eu com a boca aberta de
sonho
voava
conspirava
transpirava
mundos
de tarzan
e robin wood

bicicleta

mamãe, mamãe...papai noel
me deu o presente errado

domingo, 14 de novembro de 2010

o poeta descobre o amor

te amei de longe
vindo de tão longe.
meus olhos miravam tua
distancia.
amei teu corpo longo
escultural.
meus pés
caminhavam ao teu
encontro
tomado da emoção
primeira.
quis tomar-te
em meu braços
mas eras demasiada
grande, tão longa
que minhas mãos
jamais poderia tocar-te
em todo.
mas te amei
'a distancia,
o verde-azul
predominando
tuas escarpas.
te amei de longe
morada de Deus
jardim dos deuses:
Chapada do Araripe

salve neruda

déjame que te hable también con tu silencio
claro como lámpara, simples como un anillo.
Eres como una noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas quando callas porque estás como ausente.
Distante y dolosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto

Salve Mia

É esta história que , agora, Eulália conta quando, na aldeia, os outros lhe pedem para falar do dia que choveu peixe. E riem-se do pasmo ao espasmo. Com a fartura de quem sabe da magreza de suas vidas. Vale não haver escassez de loucos. Uns seguindo-se aos outros, em rosário. Como contas de missangas, alinhadas no fio da descrença.



(mia couto)

sábado, 13 de novembro de 2010

FRUTA

gosto da palavra
barro,
me lembra a infäncia.
das bricadeiras de menino
ainda sei todos os códigos.
minha primeira viagem deslumbrante
foi de trem 'a Maceió.
dela lembro:
a calça azul de mescla do meu pai,
o barulho dos vagões
e a beleza ainda primitiva da Lagoa de
Mundaú.
das rezas de minha mãe
vieram-me o temor de Deus
__nunca entendi o sofrimento de Cristo
num quadro de parede__.
(por que os santos possuem os olhos tristes)
resposta que nunca tive.

fatalidade

fogo selvagem acelera a madrugada
e se antecipa 'a chama submissa
do dia pleno, que atinge, por igual
com a dor ainda maquiada, a pele.
queima, concentrado, detalhes do rosto
corpo, a mão inteira da escrita, do estigma
e marca o acidente da beleza.

PAIXÃO E FÉ 1978

o poema que me cabe

o poema que me cabe
contém o cheiro de
 terra molhada.

a solidão das montanhas
os sinos de minas
meu coração barroco

o poema que me cabe
contém
as longas mãos
e sorriso de wápurã
as traquinagens
de apoena
o araguaia de thainan
os devaneios de amayi.

o poema que me cabe
desagua no mundau
rio da minha vida
do meu destino na terra

loa

rasgar a cena,
estilizar o ato.
no átrio da voz
algo veloz
deslizando


rarefeita luz
alumbrando horas.
a partir de agora
vale como canção
este assovio:

  __ ó sol
  __ ö lua
       céu azul!


desatar as palavras,
destinando ao poema
a redescoberta das cores

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

coração abandonado

por ela
reinventei noites
e luas.
larguei
tambem meus poucos
amigos.
elogiei
até
o frio
dos seus esmaltes.
por elas
troquei
a noite pelo dia
e disse não a minha poesia

...e por fim tão fria
suas ultimas palavras


e hoje
não tenho casa
nem país
e aqui
eu não fico
pra dormir

lapinha sertaneja

um dia eu fui a Piranhas.
um dia fui conhecer
Piranhas.
suas ladeiras,
a sua história.
No silencio da noite
quem tem bom ouvido
ainda pode  ouvir
os gritos
do cangaceiro Gato.
o São Francisco lá embaixo
desliza suave e profundo
assuntado seus mistérios.
o fantasma da cabeça de Maria Bonita
ainda ronda a memória
dos meninos impossiveis.
meu Deus!
como é singela,Piranhas!
como é bela!
tão bela
que merece outro nome:
Lapinha Sertaneja

a sala

meu bisavö foi 'a guerra,
lutou contra Solano.
trouxe a espada.
ganhou honrarias e medalhas,
terras e muita fama.
matou e amansou índios,
possuiu muitas mulheres
e conheceu poucos filhos.
amaou as farras e o fado.
viveu cento e tantos anos
entre vinhos e memórias.
jamais caducou.

meu avö possuiu mulheres tantas
que nunca soube seus nomes.
perdeu,nas noites,a terra
com mulheres,jogos e amigos.
morreu e nada deixou.

meu pai só legou o nome
desta vil genealogia.
e ajudou a alimentar
este clã de além mar.
como todos, amou a noite.
e alegrou a noite com sanfona e canto.

hoje, todos nas molduras tão douradas
me olham com espanto e vasculham a sala
entre jacarandás seculares.
e já não andam e nem sonham
com seus próprios pés.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

herança nordestina

O pai:

__ fio voce já chegou
     terra no pé da bananeira

O filho:

__ sinhö

__ já comeu carne mijada

__ heim

__ quantos anos voce tem

__ tenho quinze!

__ ö maricota toma tres contos
     me descabaça  esse muleque

uma flor

vejo uma flor de pequi
uma beleza.
vejo uma flor de pequi.
é tua pele recortando a persistencia do fogo.
vejo uma flor de pequi.
é teu rosto armado
engalobando a noite.

vejo uma flor de pequi.
são tuas mãos treinadas
em reunir terra
ventos e rios.
vejo uma flor de pequi.
é teu corpo refeito
na vigorosa e rigorosa
consequencia
de sua fala e mala.
são teus olhos
atinando a presença bruta
do amor
em natural sintonia
sem o amparo de nenhuma dor.

vejo uma flor de pequi.
e ofereço:
uma beleza a outra beleza.


(francisco marques)

magia

a magia
do papel
que inspira
qualquer treco
palavrinha por
palavra como
quem pega
borboleta
com os olhos
de pescador
eu chego de
mansinho e fisgo
o peixe-poema
tinjo-o de cor
de rosa,
um pouquinho de azul
e lá se
vai meu poema
filho da mesma
cria
rolando
na beira
do mundo

o amor

o amor quando chega
deixa tudo de pernas pro ar
avessa a vida da gente
invade o peito
não pede licença


o amor quando se vai
não mede a dor
não se justifica
deixa um turbilhão
e nossa casa  vazia

a descoberta da poesia

O Pai:

__Esse menino não ri,Maria,
mania essa de juntar palavras,
vai aluar e correr rua
quando chegar a grande lua.


A Mãe:


__Deixa o menino,Antonio,
no seu brinquedo de silencios...



(para claudia costin)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

BJORK - "TRAVESSIA" de Milton Nascimento

la luna

a lua
lavra
livre
o lume
na rua
passam libres
los passos
no ar
passeiam livres
los pájaros



(a ariana para que seja libre sua vnz)

tayra e os poetas

senhor,
já que levastes para perto
de ti
aquela
que amava os poetas
e seus escritos pendurava
em cordeis
pelas praças
pelas ruas
Delega-lhe a função
de pendurar poemas
no
céu,
Senhor.
Outra coisa,
Senhor,
quem colocará no varal:
os nossos sonhos
as nossas iras
as nossas dores
derretidas em versos,
já que levastes
Tayra
e
Wãpurã.*
Senhor
tens a mania
de responder
apenas em silencios
enquanto sangra
os nossos corações...



*tayra,jovem de maceió que participava do projeto Poesia no Varal
**wãpura,meu filho de 23 anos que se encantou

ah belo horizonte

belzonte do maleta
da cantina do lucas
e do lua nova
belo horizonte
das minhas madrugadas
vadias
fugidias.
...e aquela minha
mania antiga de
renomear estrelas
tudo isso vem de ti
belo horizonte.
meu caminhar
no mangabeiras
um papo largo no buléia
regado a pinga solidária
o tiragosto da hora.
ah! belohorizonte!
me deste um filho
me adormecestes
um filho para sempre
só para fazer
de ferro meu coração.
ah! belo horioznte!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Milton Nascimento - Para Lennon & McCartney (1983)

balada

tinhas em ti
quando te vi
a doçura dos cajus
da minha terra

o amor é uma fruta

meu amor é uma fruta
maria

sem título

o barulho subindo
as escadas
o barulho de voce
subindo as escadas
meu coração disparando
a campainha
tocando


não era cinthya
era o síndico


(nicolas behr)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

o olhar

o olhar daquele homem
e seu corpo era um só músculo,
o coração espasmódico
sua fé lämina despedida
__ele ali e seu Padim_,

seus dedos como um relógio
rosário da sua vida
pedia e agredecia
a graça obtida

o olhar daquele homem
singela fé de sertão
o seu corpo em genuflexo
na fria lage do dia.
na igreja do Socorro
extinguia ácidos do sol
sua alma candieira

fome e olhos de esperança

agora a erva da fome
da sede nos abatia
além do sol quente de morte
no calor do meiodia
Ah! infinito estradar
de murici a juazeiro,
As palmas batidas ao portão,
a dona da casa que chega
e nos serve a fria água
dessa gente hospitalheira
de quentura nordestina
daquele sertão de mundo.
Djalma embola as palavras
ao pedir pouca comida,
a dona adenra a casa
muito bem compreendida,
no portão a nossa espera
uma hora vale uma era.
Passam solenes minutos
da cozinha a mulher não sai,
os olhos firmes de Djalma
penetram toda morada,e,
estático seu corpo está
como natureza morta,enquanto
o pequeno ponteiro
no relógo dar sua volta.
Saimos dali cabisbaixos.
__ela nos deu a melhor água,
o resto não mais importa.


(a memória de seu djalma,
cicero gomes)

alagoanës

Bulacheira


é uma mulher que se relaciona emocionalmente e
sexualmente com uma pessoa do mesmo
sexo.


(em palavras populares de alagoas,de luciano langman)

mundo cão

grato pela compreensão
te apresento o mundo cão
nenhum prazer

não, não arranhei
seu carro não, moço

só olhei, passei perto
não atira não



(nicolas behr)

perdas número 2

perdi
a minha casa da infância
seus objetos rotos
os tortos quadros
na parede.
perdi
os resmungos de meu pai
bulindo em suas catrevagens.
o coqueiro magestoso
o mundau carregou.
setembro sem sentido
levou o sorriso do meu filho
e hoje resta
essa lágrima acesa
na concha da mão

domingo, 7 de novembro de 2010

Solilóquio

só quero
a solidão do mar
pra chorar
o não do meu amor

só quero a imensidão
do mar
pra sarar
a dor
do meu amor

Olhar no olho

paixão é sem freio
ditame de bem querer
fogo de corpos

luau

meu amor surgiu
por trás dos edifícios
quarado de lua

Ennio Morricone - Cinema Paradiso

sábado, 6 de novembro de 2010

Lá onde Helena
trocou seu trono
pelos amores
de um troiano,

Lá onde a língua
inculta e bela
nas mãos de um náufrago
tornou-se aquela

Orgulho e raça
dos lusiranos
em que Caminha
fundou seu canto

Na utopia
de um mundo novo,
miscigenado
e vagabundo,

O mesmo mundo
onde a menina,
pelo sentidos,
pelas retinas

Nas águas mornas
do Cabo Branco,
traçou seu fado
teceu seu manto:

Amores raros,
heróicos cantos.


poeta de Brasília
Amneres

George Harrison My Sweet Lord

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

o sorriso de isolda

pegue uma poção do mar de pajussara
uma dose do por do sol da lagoa de mundau
uma viagem bucólica de trem até lourenço de albuquerque
um beijo ao luar na ilha de santa rita
um gol do meu csa
ai estará
o sorriso de isolda

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

RIORIOS

do cerne da minha alma
fluvial
passam águas
muitos rios
Do Rio das Mortes
ao Araguaia
me tranporto rio afora
sertão adentro
pra longe do mar.
Vou escrevivendo
entre águas
novas águas
cursos novos
sob atento olhos
caminheiros.
Passar por Minas é
passar por muitas Minas
montanhas muitas
e rios múltiplos
de águas vindas de lugares tantos.
Do Rio das Velhas
ao Velho Chico
tudo é um céu mineral.
Muitos rios se encontrando
águas abarcando a vida
ouro sonho
diamante
e líquida miséria
barrancando a vida lentamente.
rio são águas
águas são rios
e o mar assombra
atrai devora.
RioRIOS
como fugir do mar
se o mar é rio mor
é água mãe
Hoje
além dos parcos sonhos
nossas infâncias
recolhidas
retorcidas
como arestas.
...e as águas vão
se vão vivas mortas
do Araguaia
das Velhas
ao Sono
ao Chico
ao Mundaú aporto solítario.
E meu corpo se refaz em sonho
em águas
de um triângulo
sentimental
fluvial
escaleno
no Mar de Alagoas
minha vida
se recolhe
entre águas renovadas
lapidadas

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

PaLavrAmiga: Carrego seu coração comigoeu carrego no meu coraçã...

PaLavrAmiga: Carrego seu coração comigo eu carrego no meu coraçã...: "Carrego seu coração comigo eu carrego no meu coraçãonunca estou sem eleonde quer que eu vá,voce vai comigoe o que quer que eu façaeu faço por..."

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Carrego seu coração comigo
eu carrego no meu coração
nunca estou sem ele
onde quer que eu vá,voce vai comigo
e o que quer que eu faça
eu faço por voce
não temo o destino
voce é o meu destino meu doce
eu não quero o mundo por mais belo que seja
voce é meu mundo,minha verdade.
eis o grande segredo que ninguem sabe.
aqui está a raiz da vida
o broto do broto e o céu do céu
de uma árvore chamada vida
que cresce mais que a alma pode esperar ou a mente pode esconder
e esse é o pródigio que mantém as estrelas a distancia

eu carrego seu coração comigo
eu o carrego no meu coração

(a wãpurã,meu filho encantado)

Eu carrego voce comigo
E.E. Cummings

volta atrás vida vivida

deixa eu refazer o que não dei conta,
volta de novo vida vivida
quero primaveras
outras noites de são joão
a sanfona do meu pai
solunçando as madrugadas.

quero ao filho contar estórias
de malasartes e malasombro...

perdas

perdi a casa da minha infância,
o Mundau a levou
com suas histórias
abacateiro
um pé de pitanga
duas goiabeiras
um pé de acerola
um pé de manga espada
da minha mãe
e o grande coqueiro
que com olhos de espanto ajudei
meu pai plantar.
perdi a minha casa
e nela esta contida
os temores da minha meninice
as grandes dúvidas da minha juventude.
tudu,tudo o rio levou para o mar sem fim.