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domingo, 30 de outubro de 2011

por um instante

por um instante você
talvez
aqui
comigo
de
mão na mão
olhando o infinito.
por um instante você
talvez
aqui comigo
olho no olho
e o céu por testemunha
por um instante você
aqui
comigo
aquela música
aquele beijo
por um instante
nem mais que isso
você aqui
amor em mim
...e perdidos
no silêncio das palavras


maiakosta









sábado, 22 de outubro de 2011

me leve pru rio II

me leve pru rio
num vôo breve
me dê a mão
e um sorriso leve.





domingo, 16 de outubro de 2011

cartapoema para thalma de freitas

fiquei sabendo pela @RadiodoMoreno
querida @Thalmissima
do abuso de poder
de você foi vítima.
Nossa terra brasilis é campeã
de abusos e violações aos
direitos humanos.
Aqui um negro parado na esquina
é suspeito
é perigoso!
O paulistano @Tsavkko ficou
aos pares de susto na madrugada da tua humilhação querida Thalma
ao ver um negro sendo espancado no centro do Rio.
Ato de matar de vergonha até o Cristo Redentor.
Mas esse negro anônimo e podre
não teve ninguem solidario a sua dor...
A gente sabe Querida Thalma
que o buraco é mais embaixo!
Em tempos idos
uma vez Djavan sofreu abuso de poder
no coração de São Paulo
na Praça da Sé,
e o motivo:excesso de documentos!
¨¨teje preso!
--onde já se viu um negro com carteira de músico!
esse é o nosso Brasil
da Copa
da Olimpíada
da Marcha da Juventude!
Bola pra frente,querida Thalma!
Cante suas loas
no país da gerais
na nação do sãopaulo
nos pagos nos pampas
nas alagoas.
Mas grite!
Berre aos ventos
e como bem disse o poeta negro
ricardo aleixo:
Negritude quer dizer negro em tudo!

um beijo no seu coração querida Thalma
do @poetacicero



























segunda-feira, 10 de outubro de 2011

felicidade

contava os dias nos dedos
até chegar o domingo.
Matinê no Cine Glória:
O sinal do Cavalo Branco
O mão de Ferro
Roy Rogers
...o coração aos supapos
ao apagar das luzes
e a fita começar.
No the end __
uma tristeza infinda
de uma semana pesarosa
tão longa pra se acabar.

sábado, 1 de outubro de 2011

2 poemas de alexander pushkin

ELEGIA

Dos anos loucos a alegria extinta
Ressaca vaga, faz que eu mal me sinta.
Mas, como o vinho, é o remorso meu
Que mais forte ficou, se envelheceu.

É triste minha estrada. E me anuncia
O mar ruim do porvir dor e agonia.
Mas não desejo, amigos meus, morrer;
Quero ser para pensar e sofrer.

E sei que há gozos para mim guardados
Entre aflições, desgostos e cuidados:
Inda a concórdia poderei cantar,
Sobre prantos fingidos triunfar,

E talvez com sorrir de despedida
Brilhe o amor no sol-pôr de minha vida.

Alexander Pushkin


AOS MEUS AMIGOS

Os deuses ainda vos dão
Dias e noites de alegria,
E amáveis moças vos estão
A examinar com simpatia.

Folgai, cantai, ficai a fruir
A noite, amigos, passageira,
E a vosso prazer sem canseira
Hei-de, entre lágrimas, sorrir.

Alexander Pushkin

Publicada por Camões em

vocês

Vocês que vão de orgia em orgia, vocês
Que têm mornos bidês e W.C.s,
Não se envergonham ao ler os noticiários
Sobre a cruz de São Jorge1 nos diários?

Sabem vocês, inúteis, diletantes
Que só pensam encher a pança e o cofre,
Que talvez uma bomba neste instante
Arranca as pernas ao tenente Pietrov?...

E se ele, conduzido ao matadouro,
Pudesse vislumbrar, banhado em sangue,
Como vocês, lábios untados de gordura,
Lúbricos trauteiam Sievieriânim!2

Vocês, gozadores de fêmeas e de pratos,
Dar a vida por suas bacanais?
Mil vezes antes no bar às putas
Ficar servindo suco de ananás.



maiacoviski

a flauta-vértebra

A Flauta-Vértebra

(Prólogo)

A todas vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
Esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.

De "V" INTERNACIONAL

Eu
à poesia
só permito uma forma:
concisão,
precisão das fórmulas
matemáticas.
Às parlengas poéticas estou acostumado,
eu ainda falo versos e não fatos.
Porém
se eu falo
"A"
este "a"
é uma trombeta-alarma para a Humanidade.
Se eu falo
"B"
é uma nova bomba na batalha do homem.

maicoviski

em lugar de uma carta

Lílitchka! (Em Lugar de Uma Carta)

Fumo de tabaco rói o ar.
O quarto —
um capítulo do inferno de Krutchokônin.
Recorda —
atrás desta janela
pela primeira vez
apertei tuas mãos, atônito.
Hoje te sentas,
no coração — aço.
Um dia mais
e me expulsarás,
talvez com zanga.
No teu hall escuro longamente o braço,
trêmulo, se recusa a entrar na manga.
Sairei correndo,
lançarei meu corpo à rua.
Transtornado,
tornado
louco pelo desespero.
Não o consistas,
meu amor,
meu bem,
digamos até logo agora.
De qualquer forma
o meu amor
— duro fardo por certo —
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor de teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei ondes estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria a sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai mais com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos — rodopiante carnaval —
dispersarão as folhas de meus livros...
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?

Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa.



vladímir maiacoviski