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quinta-feira, 24 de julho de 2014

acossado

sombrias
as horas
esperas despedaçadas

podre cícero!
poeta de tão poucas palavras
tão longe da relva das metáforas

nem o sino centenário
de santo antonio da barra funda
sangra minha melancolia
_minha putice é essa._

fecho os olhos
o formato dos teu lábios
por mim nunca (sentido)
sei de cór


errante cigano
tão longe do mar
no sertão alheio
'a cavalgar

eu queria cantar
aos teus ouvidos
me esconder do mundo
dentro do teu ventre,
morar ali longe do sorriso
falso dos homens

fujo da tua covardia
como do tédio
das madrugadas frias

fujo de mim
sempre que
posso

assim como as estrelas
do céu negro
da cidadade que não é minha

acossado,
te assolei com minha tempestade
...e o vento da solidão fechou a minha porta.

boa noite tristeza!


 

terça-feira, 22 de julho de 2014

por dentro da noite escura


na minha noite escura
densa
céu negro sem estrelas
ou rasgo de lua

a minha noite
é triste
como os barcos ancorados
no porto
_sem destino_.

a minha noite escura
negra noite
povoa-me fantasmas
do não vivido

ah! o peso das palavras trôpegas
nos reles botecos da vida
dos poemas começados
 guardanapos de papel
 perdidos nas sarjetas frias

noite, triste noite sem ela
sem o sorriso de amazonas
sem a palavra certa
que me tirava das esperas

noite escura, triste
como o menino doente.
como a febre dos desesperados

noite escura
noite dos desamparados
dos mendigos
vagabundos de solidão

noite dura,fria.
noite apenas noite
sem esperança de sol.
na minha alma,
noite como chumbo
sina de abandono

...na minha alma abandonada,
noite




segunda-feira, 21 de julho de 2014

encanto



apenas vejo
teu sorriso equatorial

tua pele
revela
todas as manhãs
do sol dos tucujus

por ti,mulher
de alvinegra alma
contaria nos dedos
os sambas da tua lida

sou assim,
apenas vejo
flor do meu desejo
o que a distância
me permite

entre nós
apenas águas
amazônicas
as estrêlas
a linha do tempo

mas teu sorriso de lua
faz um carnaval
na minha alma de menino triste

agora,
receba
com o calor do meu peito,
linda flor do amapá
a doçura
dos meus versos
...e um desejo de bom dia

sexta-feira, 18 de julho de 2014

em meu ofício ou arte taciturna



em meu ofício ou arte taciturna
exercido na noite silenciosa
quando somente a lua se enfurece
e os amantes jazem no leito
com todas as suas mágoas nos braços,
trabalho junto 'a luz que canta
não por glória ou por pão
nem por pompa ou tráfico de encantos
nos palcos de marfim
mas pelo mínimo salário
de seu mais secreto coração.

escrevo estas páginas de espuma
não para o homem orgulhoso
que se afasta da lua enfurecida
nem para os mortos de alta estirpe
com seus salmos e rouxinóis,
mas para os amantes, seus braços
que enlaçam as dores dos séculos,
que não me pagam nem me elogiam
e ignoram meu ofício ou minha arte.

   Dylan Thomas

segunda-feira, 14 de julho de 2014

crença



sou um homem
de coração noturno
soturno como as madrugadas
frias

repleto de silêncios

...por ti
canta
sinuoso
o rio da minha terra

o fumo
na minha boca
fumaça
rubrica
teu nome no ar

...lá fora
o dia me chama

credo



os pássaros

desatentos

recriam minha manhã