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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

poema com um blues

pela rua das trincheiras
contando estrelas
chutando tampinas
e teu poema na algibeira
meu coração cançado de ladeiras
meu eu nessa zoeira
de tantas e quantas saideiras





terça-feira, 20 de dezembro de 2011

natal nordestino

Um canto lindo para tempos de esperas e esperanças



a lua

a lua
lavra
livre o lume
na rua
passam
livres
os passos
no
ar
voam
livres
os pássaros

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Crespo

esse meu cabelo crespo esse meu jeito essa minha cara esse meu cabelo tantos quantos séculos de história tanta luta quanto luto banzo africas tapuias tupis Não me venhas com seu preconceito vá se fuder com sua chapinha! O meu cabelo é crespo! Crespo como são crespas as minhas mãos da batalha. Crespo crespo crespo crespo e em pleno século XXI a chaga do preconceito ainda mostra sua face.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tupila Ruiz II

Ela tem um jeito de cantar umas falas uns gestos que toca ao coração. Ela tem assim um jeito maneiro malemolente decente brejeiro de cantar. Quando ela canta sua música é cheia de cores odores sabores. Uma vontade de dançar na chuva Um pôr de sol da infância tudo nos remete Tulipa e por ela a tarde se pinta de azul na pacata São Lourenço teu cantar é varanda é pão de queijo e a saudade nua do primeiro beijo.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Tulipa Ruiz

um gole em sua homenagem um brinde 'a sua voz uma lágrima de emoção encanto alumbramento oh doce tulipa!

Meu caro Dr. Sócrates

Quantos domingos você me deu alegria Dr. Sócrates. Não que jogasse pelo meu time... Éramos até um pouco parecido na juventude, dizia os meus amigos, e eu ficava ancho de orgulho. Você ali sutil no gramado parecia alheio a tudo. Tecias poemas com os pés. Ah Dr.! Futebol hoje não tem leveza. É uma correria da peste! Que belo legado à tal democracia Corintiana. Embasbacou gregos e baianos. Você se foi e, quando encontrares o menino Garrincha, manda um abraço, deste pequeno poeta comovido. Gracias por tudo Dr.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

poemas de josé paulo paes

Acima de qualquer suspeita José Paulo Paes ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA a poesia está morta mas juro que não fui eu eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres car- los drummond de andrade manuel bandeira murilo mendes vladimir maiakóvski joão cabral de melo neto paul éluard oswald de andrade guillaume apollinaire sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos não adiantou nada em desespero de causa cheguei a imitar um certo (ou incerto) josé paulo paes poeta de ribeirãozinho estrada de ferro araraquarense porém ribeirãozinho mudou de nome a estrada de ferro araraquarense foi extinta e josé paulo paes parece nunca ter existido nem eu HINO AO SONO sem a pequena morte de toda noite como sobreviver à vida de cada dia? AO ESPELHO O que mais me aproveita em nosso tão freqüente comércio é a tua pedagogia de avessos. Fazem-se em nós defeitos as virtudes que ensinas: o brilho de superfície a profundidade mentirosa o existir apenas no reflexo alheio. No entanto, sem ti sequer nos saberíamos o outro de um outro outro por sua vez de algum outro, em infinito corredor de espelhos. Isso até o último vazio de toda imagem espelho de um si mesmo anterior, posterior a tudo, isto é, nada. DÚVIDA Não há nada mais triste do que um cão em guarda ao cadáver de seu dono. Eu não tenho cão. Será que ainda estou vivo? Data da última gravação: 8/10/98, 17h09 (o poeta faleceu em 9/10/98) poesia.net www.algumapoesia.com.br Carlos Machado, 2004 Poemas extraídos de: • "Acima de Qualquer Suspeita" A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não Fui Eu Duas Cidades, São Paulo, 1988 • "Hino ao Sono" Um por Todos (Poesia Reunida) Ed. Brasiliense, São Paulo, 1986 • "Ao Espelho" Prosas Seguidas de Odes Mínimas Cia. das Letras, São Paulo, 1992 • "Dúvida" Socráticas Cia. das Letras, São Paulo, 2001

O mestre José Paulo Paes

JOSÉ PAULO PAES (1926-1998) Poeta, tradutor, ensaísta. Nasceu em Taquaritinga, São Paulo. Na casa em que veio ao mundo havia livros de seu avô para lera desde criança... Estudou química industrial em Curitiba e iniciou-se na literatura nos círculos paranaenses em voga em meados dos anos 40 que freqüentvam o Café Belas Artes. Publicou seu primeiro livro de poema em 1947 – O aluno. Mas é em São Paulo, a partir de 1947, que amadurece em convivência com personalidades fulgurantes como Oswald de Andrade e outros modernista, depois pela amizade com os concretistas sem nunca chegar a filiar-se a tais grupos. São muito conhecidos e admiradas suas traduções de poetas latinos e de poesia erótica. Toda sua vasta obra poética, foi competentemente revisada e selecionada pelo crítico Davi Arrigucci Jr., com um alentado e revelador ensaio sobre a obra e a vida do autor, ara a coleção Os Melhores Poemas, da editora Global pouco antes do passamento do grande poeta. “Pode-se ler a poesia de José Paulo Paes, breve e aguda a cada lance em sua tendência constante ao epigrama, como se formasse um só cancioneiro da vida toda de um homem que respondeu com poemas aos apelos do mundo e de sua existência interior”. Davi Arrigucci Jr. TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL Veja também POESIA INFANTIL MADRIGAL Meu amor é simples, Dora, Como a água e o pão. Como o céu refletido Nas pupilas do um cão. DE SENECTUTE já antecipa a língua afeita à alegoria na carne da vida o verme da agonia já tritura o olho no gral da apatia o carvão da noite a brasa do dia já se junta um pé a outro em simetria de viagem além da cronologia já por metafísico o medo anuncia sua máquina de espantos à alma vazia À MODA DA CASA feijoada marmelada goleada quartelada SEU METALÉXICO economiopia desenvolvimentir utopiada consumidoidos patriotários suicidadãos ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA a poesia está morta mas juro que não fui eu eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres car- los drummond de andrade manuel bandeira murilo mendes vladimir maiakóvski joão cabral de melo neto paul éluard oswald de andrade guillaume apollinaire sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos não adiantou nada em desespero de causa cheguei a imitar um certo (ou incerto) josé paulo paes poeta de ribeirãozinho estrada de ferro araraquarense porém ribeirãozinho mudou de nome a estrada de ferro araraquarense foi extinta e josé paulo paes parece nunca ter existido nem eu A Casa Vendam logo esta casa, ela está cheia de fantasmas. Na livraria, há um avô que faz cartões de boas-festas com corações de purpurina. Na tipografia, um tio que imprime avisos fúnebres e programas de circo. Na sala de visitas, um pai que lê romances policiais até o fim dos tempos. No quarto, uma mãe que está sempre parindo a última filha. Na sala de jantar, uma tia que lustra cuidadosamente o seu próprio caixão. Na copa, uma prima que passa a ferro todas as mortalhas da família. Na cozinha, uma avó que conta noite e dia histórias do outro mundo. No quintal, um preto velho que morreu na Guerra do Paraguai rachando lenha. E no telhado um menino medroso que espia todos eles; só que está vivo: trouxe-o até ali o pássaro dos sonhos. Deixem o menino dormir, mas vendam a casa, vendam-na depressa. Antes que ele acorde e se descubra também morto. GRAFITO neste lugar solitário o homem toda a manhã tem o porte estatuário de um pensador de Rodin neste lugar solitário extravasa sem sursis como um confessionário o mais íntimo de si neste lugar solitário arúspice desentranha o aflito vocabulário de suas próprias entranhas neste lugar solitário faz a conta doída: em lançamentos diários a soma de sua vida TERMO DE RESPONSABILIDADE mais nada a dizer: só o vício de roer os ossos do ofício já nenhum estandarte à mão enfim a tripa feita coração silêncio por dentro sol de graça o resto literatura às traças! Outros poemas de José Paulo Paes podem (e devem!) ser lidos na antologia: Os melhores poemas de José Paulo Paes. Seleção Davi Arrigucci Jr. – 5ª. Edição. São Paulo: Global, 2.003. 241 p. JOSÉ PAULO PAES De PROSAS seguidas de ODES MÍNIMAS São Paulo: Companhia das Letras, 1992. CANÇÃO DO ADOLESCENTE Se mais bem olhardes notareis que as rugas umas são postiças outras literárias. Notareis ainda o que mais escondo: a descontinuidade do meu corpo híbrido. Quando corto a rua para me ocultar as mulheres riem (sempre tão agudas!) do meu pobre corpo. Que força macabra misturou pedaços de criança e homem para me criar? Se quereis salvar-me desta anatomia, batizai-me depressa com as inefáveis as assustadoras águas do mundo. CANÇÃO DO EXÍLIO Um dia segui viagem sem olhar sobre o meu ombro. Não vi terras de passagem Não vi glórias nem escombros. Guardei no fundo da mala um raminho de alecrim. Apaguei a luz da sala que ainda brilhava por mim. Fechei a porta da rua a chave joguei no mar. Andei tanto nesta rua que já não sei mais voltar. REENCONTRO Ontem, treze anos depois da sua morte, volte a me encontrar com Osman Lins. O encontro foi no porão de um antigo convento, sob cujo teto baixo ele encenava a primeira peça do seu Teatro do Infinito. A peça, Vitória da dignidade sobre a violência, não tinha palavras: ele já não precisava delas. Tampouco disse coisa alguma quando o fui cumprimentar. Mas o seu sorriso era tão luminoso que eu acordei. POESIA COMPLETA De José Paulo Paes POESIA COMPLETA Apresentação de Rodrigo Naves São Paulo: Companhia das Letras, 2008. 514 p. ISBN 978-85-359-1338-5 “Na poesia como na vida, José Paulo Paes optou sempre pela discrição e o comedimento de quem desconfia das exaltações visionárias e das certezas inabaláveis. Ao seu primeiro livro deu o título de O aluno. Seu último poema, escrito na véspera da morte, chama-se “Dúvida”. Ser poeta para ele era um modo de continuar até o fim sua busca de aprendiz. / Em vez da retórica elevada, José Paulo adotou o tom menor do bom humor e da observação tão concisa quanto arguta.” RODRIGO NAVES O ALUNO São meus todos os versos já cantados; A flor, a rua, as músicas da infância, O líquido momento e os azulados Horizontes perdidos na distância. Intacto me revejo nos mil lados De um só poema. Nas lâminas da estância, Circulam as memórias e a substância De palavras, de gestos isolados. São meus também, os líricos sapatos De Rimbaud, e no fundo dos meus atos Canta a doçura triste de Bandeira. Drummond me empresta sempre o seu bigode, Com Neruda, meu pobre verso explode E as borboletas dançam na algibeira. L´AFFAIRE SARDINHA O bispo ensinou ao bugre Que pão não é pão, mas Deus Presente na eucaristia. E como um dia faltasse Pão ao bugre, ele comeu O bispo, eucaristicamente. TEXTOS EN ESPAÑOL Traducción de Margarito Cuellar Textos extraidos de ALFORJA – REVISTA DE POESÍA, mexicana, dirigida por el poeta José Àngel Leyva, n. XIX, invierno 2001. Número especial dedicado a la Poesía brasileña organizado por Floriano Martins. Fuera de cualquier sospecha La poesía está muerta pero juro que no fui yo yo hice lo mejor que pude para salvarla imité con diligencia a augusto dos anjos paulo torres carlos drummond de andrade manuel bandeira murilo mendes vladimir maiakowski joão cabral de mello neto paul éluard oswald de andrade guillaume apollinaire sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos no sirvió de nada desesperado llegué a imitar a cierto (o incierto) josé paulo paes poeta de ribeirão- zinho en la vía férrea araraquerense sin embargo ribeirãozinho cambió de nombre la vÍa férrea araraquarense se extinguió y josé paulo paes parece no haber existido ni yo La casa Vendan pronto esta casa, está llena de fantasmas. En la biblioteca hay un abuelo que hace tarjetas de felicitación con caracoles de purpurina. En la imprenta un tío que imprime avisos fúnebres y programas de circo. En la sala de visitas un padre que lee novelas policiacas hasta el fin de los tiempos. En el cuarto una madre que siempre está pariendo la última hija. En el comedor una tía que da brillo a su propio ataúd. En la despensa una prima que plancha todas las mortajas de la familia. En la cocina, una abuela que cuenta noche y día historias de otro mundo. En el patio un negro viejo que murió en la Guerra de Paraguay cortando leña. Y en el tejado un niño medroso que espía a todos ellos; sólo que está vivo: lo trajo hasta ahí el pájaro de los sueños. Dejen dormir al niño, pero vendan la casa, véndanla ya. Antes que él despierte y se descubra muerto también. Página ampliada e republicada em março de 2008, ampliada e republicada em abril 2009. Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato counter create hit Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web. Copyright © 2004 Antonio Miranda

sábado, 5 de novembro de 2011

lagartixa

ao sol plaina
teus fecundos movimentos
de músculos mágicos.

clarida de claridade.
propulsão vagarosa de sentidos.
cerne de nostalgias aluviadas.


no beco de toda infância
uma lagartixa é o guia











domingo, 30 de outubro de 2011

por um instante

por um instante você
talvez
aqui
comigo
de
mão na mão
olhando o infinito.
por um instante você
talvez
aqui comigo
olho no olho
e o céu por testemunha
por um instante você
aqui
comigo
aquela música
aquele beijo
por um instante
nem mais que isso
você aqui
amor em mim
...e perdidos
no silêncio das palavras


maiakosta









sábado, 22 de outubro de 2011

me leve pru rio II

me leve pru rio
num vôo breve
me dê a mão
e um sorriso leve.





domingo, 16 de outubro de 2011

cartapoema para thalma de freitas

fiquei sabendo pela @RadiodoMoreno
querida @Thalmissima
do abuso de poder
de você foi vítima.
Nossa terra brasilis é campeã
de abusos e violações aos
direitos humanos.
Aqui um negro parado na esquina
é suspeito
é perigoso!
O paulistano @Tsavkko ficou
aos pares de susto na madrugada da tua humilhação querida Thalma
ao ver um negro sendo espancado no centro do Rio.
Ato de matar de vergonha até o Cristo Redentor.
Mas esse negro anônimo e podre
não teve ninguem solidario a sua dor...
A gente sabe Querida Thalma
que o buraco é mais embaixo!
Em tempos idos
uma vez Djavan sofreu abuso de poder
no coração de São Paulo
na Praça da Sé,
e o motivo:excesso de documentos!
¨¨teje preso!
--onde já se viu um negro com carteira de músico!
esse é o nosso Brasil
da Copa
da Olimpíada
da Marcha da Juventude!
Bola pra frente,querida Thalma!
Cante suas loas
no país da gerais
na nação do sãopaulo
nos pagos nos pampas
nas alagoas.
Mas grite!
Berre aos ventos
e como bem disse o poeta negro
ricardo aleixo:
Negritude quer dizer negro em tudo!

um beijo no seu coração querida Thalma
do @poetacicero



























segunda-feira, 10 de outubro de 2011

felicidade

contava os dias nos dedos
até chegar o domingo.
Matinê no Cine Glória:
O sinal do Cavalo Branco
O mão de Ferro
Roy Rogers
...o coração aos supapos
ao apagar das luzes
e a fita começar.
No the end __
uma tristeza infinda
de uma semana pesarosa
tão longa pra se acabar.

sábado, 1 de outubro de 2011

2 poemas de alexander pushkin

ELEGIA

Dos anos loucos a alegria extinta
Ressaca vaga, faz que eu mal me sinta.
Mas, como o vinho, é o remorso meu
Que mais forte ficou, se envelheceu.

É triste minha estrada. E me anuncia
O mar ruim do porvir dor e agonia.
Mas não desejo, amigos meus, morrer;
Quero ser para pensar e sofrer.

E sei que há gozos para mim guardados
Entre aflições, desgostos e cuidados:
Inda a concórdia poderei cantar,
Sobre prantos fingidos triunfar,

E talvez com sorrir de despedida
Brilhe o amor no sol-pôr de minha vida.

Alexander Pushkin


AOS MEUS AMIGOS

Os deuses ainda vos dão
Dias e noites de alegria,
E amáveis moças vos estão
A examinar com simpatia.

Folgai, cantai, ficai a fruir
A noite, amigos, passageira,
E a vosso prazer sem canseira
Hei-de, entre lágrimas, sorrir.

Alexander Pushkin

Publicada por Camões em

vocês

Vocês que vão de orgia em orgia, vocês
Que têm mornos bidês e W.C.s,
Não se envergonham ao ler os noticiários
Sobre a cruz de São Jorge1 nos diários?

Sabem vocês, inúteis, diletantes
Que só pensam encher a pança e o cofre,
Que talvez uma bomba neste instante
Arranca as pernas ao tenente Pietrov?...

E se ele, conduzido ao matadouro,
Pudesse vislumbrar, banhado em sangue,
Como vocês, lábios untados de gordura,
Lúbricos trauteiam Sievieriânim!2

Vocês, gozadores de fêmeas e de pratos,
Dar a vida por suas bacanais?
Mil vezes antes no bar às putas
Ficar servindo suco de ananás.



maiacoviski

a flauta-vértebra

A Flauta-Vértebra

(Prólogo)

A todas vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
Esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.

De "V" INTERNACIONAL

Eu
à poesia
só permito uma forma:
concisão,
precisão das fórmulas
matemáticas.
Às parlengas poéticas estou acostumado,
eu ainda falo versos e não fatos.
Porém
se eu falo
"A"
este "a"
é uma trombeta-alarma para a Humanidade.
Se eu falo
"B"
é uma nova bomba na batalha do homem.

maicoviski

em lugar de uma carta

Lílitchka! (Em Lugar de Uma Carta)

Fumo de tabaco rói o ar.
O quarto —
um capítulo do inferno de Krutchokônin.
Recorda —
atrás desta janela
pela primeira vez
apertei tuas mãos, atônito.
Hoje te sentas,
no coração — aço.
Um dia mais
e me expulsarás,
talvez com zanga.
No teu hall escuro longamente o braço,
trêmulo, se recusa a entrar na manga.
Sairei correndo,
lançarei meu corpo à rua.
Transtornado,
tornado
louco pelo desespero.
Não o consistas,
meu amor,
meu bem,
digamos até logo agora.
De qualquer forma
o meu amor
— duro fardo por certo —
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor de teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei ondes estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria a sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai mais com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos — rodopiante carnaval —
dispersarão as folhas de meus livros...
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?

Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa.



vladímir maiacoviski

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A Casa do Pedro

Eu também vou pedir a Deus pelo
Menino Pedro
vou pedir ao Senhor dos Ventos
aquele que fez os mares
os rios
as árvores
as aves
do céu
e fez
o homem
e deu-lhe
inteligência
para nomear
todas suas criaturas.
Vou pedir aos homens
de coração livre,
pois o menino Pedro
assim como @joãobomberinho
e muitas crianças
do nosso país
precisam de um transplante
de medula ósea.
A vida de quem não sabe servir
não serve.
a vida só é vida
na partilha
no amor solidário
livre lindo
como um sorriso de um menino.
Portanto
meus amigos
meus inimigos
nação do sunpaulo
nordeste
sul
e os quatro cantos do mundo
chegou a nossa hora
da união
pelo menino Pedro
e @joãobomberinho

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O cantar de Oswald de Andrade

Por ocasião da Descoberta do Brasil

escapulário

No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia

Bucólica (de São Martinho)
Agora vamos correr o pomar antigo
Bicos aéreos de patos selvagens
Tetas verdes entre folhas
E uma passarinhada nos vaia
Num tamarindo
Que decola para o anil
Árvores sentadas
Quitandas vivas de laranjas maduras
Vespas

RP1

3 de maio

Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi

ditirambo
Meu amor me ensinou a ser simples
Como um largo de igreja
Onde não há nem um sino
Nem um lápis
Nem uma sensualidade
Postes de Light

música de manivela

Sente-se diante da vitrola
E esqueça-se das vicissitudes da vida
Na dura labuta de todos os dias
Não deve ninguém que se preze
Descuidar dos prazeres da alma

Discos a todos os preços

pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Lóide Brasileiro

canto do regresso à pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorgeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como o de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo

As Quatro Gares

adolescência

Aquele amor
nem me fale

Cântico dos Cânticos
Para Flauta e Violão

relógio

As coisas vão
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêm
Não em vão
As horas
Vão e vêm
Não em vão

Memórias Sentimentais de João Miramar

Verbo Crackar*

Eu empobreço de repente
Tu enriqueces por minha causa
Ele azula para o sertão
Nós entramos em concordata
Vós protestais por preferência
Eles escafedem a massa

Sê pirata
Sede trouxas


Abrindo o pala
Pessoal sarado.

Oxalá eu tivesse sabido que esse verbo era irregular.

(* verbo inventado, baseado no crack da Bolsa de Nova York em 1929)


Serafim Ponte Grande

Fim de Serafim

Fatigado
Das minhas viagens pela terra
De camelo e táxi
Te procuro
Caminho de casa
Nas estrelas
Costas atmosféricas do Brasil
Costas sensuais
Para vos fornicar
Como um pai bigodudo de Portugal
Nos azuis do clina
Ao solem nostrum
Entre raios, tiros e jaboticabas.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

a morena do twitter número 2

falar de amor
em 140
caracteres
não é brinquedo.
ah! morena
por tí
eu rompo ruas
y rios!
na velocidade
de bytes
meus olhos
pululam
quando
teu sorriso
de mármore
pinta
na minha timeline
Aos diabos
com os meus + de 2000
seguidores
se eu apenas
tenho olhos
para ti
Minha
deusa
morena
do twitter.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

amigo gerson´sbar

de sobressalto me veio a notícia de tua partida
parou de bater o coração mais azulino da minha terra
de tanto azul era voce
que sempre te perdoei
esse seu desvio rubronegro.
quantos porres fiados
e eu e minha geração
quantas vezes
a dita conta pendurada
e rependurada.
A palavra pressa rasgastes do dicionário
(a velha agenda surrada de baixo do braço
ali ficavas rondando o BB
em busca do fregueses esquecidos)
teus infalíveis tira-gosto sei de cor:
caldos de feijão e sururu
o horroroso fígado acebolado
e a melhor tripinha da região.
eras amigo Gerson
o rei da paciência.
não possuías o coração
para os negócios
pois eras demasiadamente humano.
desconfio que teu coração era de poeta
essa raça
que raciocina pelo coração
onde não há lugar para o lucro
ha não ser o do amor
e amizade.
adeus amigo
e
verás
no paraíso
o camarada Américo.
Tudo aqui é uma ilusão,
por seres tão bom, amigo Gerson,
o criado te levou
no mesmo dia que ele fez o seu descanso.
Viscas! ao amigo Gersons`bar!
se vai com ele
um jeito doce
de se viver a vida.

domingo, 4 de setembro de 2011

poema para acordar mellina

o amor não é assim assado
isto ou aquilo
amor é risco
luta precipício
amor e dor que rima pobre
amor humor
assim é nobre.
amor é escolha
do lado secreto do ser
alí onde mora
as ilusões.
que mania tem o amor
de deixar tudo de pernas pru ar
quando chega faz a festa
entra sem pedir licença.
e
quando
se
vai
não
mede
a
dor
não deixa
recado
faz
um
turbilhão
e
deixa
nossa alma vazia

sábado, 27 de agosto de 2011

o anjo wãpurã

q mania de brincar de esconde esconde
de quem na vida apenas passageiro
de um trem sem rumo desgorvernado
e mandas
sem aviso
aos meus desdomínios
um ser pleno de luz
com voz de encanto amor
q mania tu tens
Senhor
de mandar sem avisar
e eu tive
que reaprender meus passos
enquanto comia o amassado pão do cão
e os nervos em frangalhos
quantas vezes não joquei minha ira
no anjo menino no menino anjo?!
Talvez ou nunca mais
mandarás aqui na terra
tão bela voz!
...e la se foi meu anjo
tonto tolo
primaveril
pelas ruas das cidades
se assustando com seus desencantos.
...e lá sei foi meu anjo
decifrando e cantando os nomes das
ruas belorizontina.
Bebeu seu engonço
e destempero
nas passageiras horas
na velocidade de um bit
__trocou a noite pelo dia
e confundia da lua suas estações.
Que saudade,Senhor
das longas mãos
do sorriso largo
do anjo Wãpurã!
Que saudade,Senhor
Porque tanta pressa de me tomar meu anjo!
...e aquela breja
no Mercado Central
tantas vezes adiada
ficou para o infinto.
...e justamente
do dia q se comemora o teu descanso
tomaste sem aviso prévio
meu anjo Wãpura
e condenado fui
a sofrer saudade
na quadra perdida
trupicar de passos
pela eternidade.
Meu anjo Wãpurã




cicero gomes

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Belo Monte Belo Monstro II

maldita seja tua energia
um dia gerada
fruto do sangue
da morte
de tantas árvores
de tantos índios enxotado
do seu chão.


maldita seja a mão que te permitiu
existir Belo Monte
Belo Monstro
e nome do progresso
assassino.

Maldito seja toda geração
daqueles que silenciaram
frente a tua devastação.

Não Belo Monte!
nome tão belo para tragédia anunciada!

E não há verso
não há poema
que baste
para o mar das terras inudadas.

Belo Monte
Belo Monstro!
Um dia a terra vai dar o troco!


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Profundamente

Profundamente

Manuel Bandeira

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

*

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

Texto extraído do livro "Antologia Poética - Manuel Bandeira", Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 2001, pág. 81.

sábado, 11 de junho de 2011

Amigo João Daniel

Amigo João Daniel @joaobombeirinho



Tocado por la emoción que su nombre

exhala

aquí estoy con mis botones

Eh! João eres fuerte!

Eres un valiente de la fe!

También puedes

llevar la insignia

de dos profetas

dos hombres de Dios

que se probaron

con el fuego de la verdad.



João,

Primo del Hijo del Hombre

exclamo a las rocas

a las rocas áridas

su discurso de la hoja,

no se detuvo bajo la tiranía.



Fue la ruta del destino para el Cristo

Nuestro Señor.

Ah! Daniel

lo que es una gran metáfora sobre tus hombros!



La envidia que el enemigo lanzó,

a los leones hambrientos

Y el ángel del Señor

transformo las fieras en mansedumbre

Y el rey le tomó de la mano.

No temas amigo Bomberinho

pues el señor de la vida esta contigo



Tu nombre lleva

con más certeza

el amor del Padre,

espera mi amigo @joaobombeirinho

pues el mismo ángel que le hablo a Maria

ha de llevar de la mano,

a la mano amiga

de tu esperada cura.


@poetacicero

traduçãoo:
@soniafarace

|

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Amigo João Daniel @joaobombeirinho

tocado pela emoção que teu nome
exala
aqui estou cá com meus
botões.
Eh! João voce é forte!
Voce é parrudo de fé!
Também podera
traz em si as insígnias
de dois profetas
dois homens de Deus
testados que foram
pelo fogo da verdade.
João
o primo do Filho do Homem
clamou paras as pedras
as áridas pedras.
Sua fala lâmina
não se calou sob a tirânia.
Foi caminhodestino para o Cristo,o Nosso Sennhor.
Ah! Daniel
que grante metáfora sobre teus ombros!
A inveja inimiga
lançou-te aos
leões famintos.
E o anjo do Senhor
trasnformou as feras
em mansidão
e o Rei tomou-te pela mão.
Não Temas amigo Bomberinho
pois o Senhor da Vida é contigo!
Teu nome transporta
a mais fina certeza
do amor do Pai.
Aguarda amigo @joaobombeirinho
pois o mesmo anjo que falou a Maria
ha de trazer pela mão
a mão amiga
da tua esperada cura.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Voy a pedir a los cielos por @joaobomberinho

Pido al señor del tiempo

de los vientos

que corren en la tierra

a las estrellas

a la señora Luna

voy a pedir

a la señora elegida

para ser la Madre del Hijo del Hombre

Pido a la Señora del Mundo

la esperanza de la gracia

Voy a pedir a su hermana Dulce

al padrino de mi Ciço

a la hermana Cleusa Carolina



Voy a pedir a todos

los mensajeros del amor

que me traigan pronto

un donador compatible con

mi ángel @joãobombeirinho



Voy a pedir a mi hijo

deleitado en el universo

muéstre el camino del donante

a nuestro @joabombeirinho



A mis amigos

A mis enemigos

esto no es un poema

es un grito.

....es por mi amigo bombeirinho

yo rezo y ruego

voy al fin del mundo

porque mi corazón solo estara quieto

el día que João Bomberinho sanará



Vivimos en tiempos difíciles

sueños rotos

utopías

Por lo tanto tenemos

que mirar en los ojos de otros

y la confianza que el niño confía en el niño.



Llevo esta canción al universo

y que los amigos de la luz

conduzcan estos versos

al el elegido por el destino

para sanar a mi guerrero

@joaobomberinho


@poetacicero


tradução:
@soniafarace

terça-feira, 24 de maio de 2011

I will ask the heavens for @joaobombeirinho

I will ask the heavens for @joaobombeirinho


I will ask the heavens for @ joaobomberinho
I will ask the Lord of time
The winds
that run the land
the stars
The Lady of the Moon
I will ask
The chosen Lady
to be the Mother of the Son of Man
I ask the Lady of the World
give the grace of Hope
I will ask her sister Dulce
To my Padrinho Ciço
To Sister Cleusa Carolina
I ask everyone
the messengers of love
to bring me soon
The compatible donor for
my angel @ joãobombeirinho
I'll ask you my son
delighted in the universe
Show the way for the donor
To reach our @ joabombeirinho
My friends
My enemies
this is not a poem
is a scream.
.... and for my friend bombeirinho
I do pray and pray
I go to the end of the world
because my heart just rest
the day that João Bomberinho heal.
We live in difficult times
Broken dreams
utopias
So we have
to look into another's eyes
and trust as the child trusts the boy.
I take this chant to the universe
and that the enlightened friends
lead these verses
to that
chosen by destiny
to heal my warrior
@ joaobomberinho


@poetacicero

tradução:
@MarinoPoletine

Amanda Gurgel

faz tanto tempo
Amanda
amada
que não não me comovo
é que a vida andou dando-me umas
lapadas
e eu fiquei na minha feito
pinto no ovo.
Eh Amanda
o buraco é mais embaixo
e maior que essa peleja
do MEC e a norma culta.
Eh Amanda Gurgel
que dó eu tive da secretária
ao ouvir suas palavras
__vergonha alheia mesmo__.
E nesse país de metas
e estatísticas
quanta vergonha eu tenho
do teu salário,Amanda!
Que raíva eu sinto de Brasília!
Porra! É que nesta Terra Tupi
educar nunca foi prioridade,Amanda.
E fica voce comendo seu cuscuz agregado
de gente diferenciada
as escondidas do promotor.
Eh Amanda Gurgel
quantas palvras lâmina
a tua fala!
Eh! Amanda
e daqui a uma semana
não se falará de ti.
Agora a secretaria
de educação do teu Estado
deve ter se engasgado um bocado
e que noites de insônias
a assombra-la,Amanda!
Professora é vocação
é mais que vício sacrifício
e voce Amanda
é professora
desde as entranhas.
Tanto tempo que não me comovo
desculpe o mal jeito
e por tua falabala
voce deve perdoar,pode
perdoar
esse pequeno poeta
comovido.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

@joaobombeirinho II

@joaobombeirinhoII versão em espanho por

Sonia Farace



===================================



@joaobombeirinho II



Vamos amigos

vamos todos

vamos a formar una corriente grande

vamos a pedir

vamos a rezar

vamos a suplicar

por un transplante de medula oséa

para nuestro ángel @joaobombeirinho



Tuiteros de Brasil unidos

facebukeros de Brasil unidos!!!

todo el mundo de todas las razas

de todos los credos

por favor!

Vamos a dar

si damos

para nuestro ángel

@joaobombeirinho



Vamos a luchar

vamos a buscar

vamos a intentar

mas y mas

vamos a pedir

a mis amigos

a mis enemigos

la hora es de paz

vamos a levantar

la bandera de solidaridad

para nuestro @joaobombeirinho



la vida sólo vale la pena

la vida sólo sirve

si es para servir

señoras

señores

de Oiapoque a Chuí

levanten sus manos

por @joaobomberinho

pedír a los cielos

al Señor de la Vida

por la vida

de @joaobomberinho



Yo creo!

Yo tengo fé

tengo la certeza

que @joãobombeirinho

va a recibir su transplante!



Vamos!

Comuniquen esta apelación

traduzcan estos versos

clamen

pidan a todos

por la vida de @joaobombeirinho

quarta-feira, 18 de maio de 2011

@joaobombeirinho II

Let’s go friends

Let´s go y’all

Let’s create a large current

Let us ask

Let us pray

Let us beg

A bone marrow transplant

To our angel @joaobonbeirinho

Brazilian Twitterers unite!

From all the races

Of all faiths

Please!

Let’s donate

Let us give ourselves

To our angel @joaobonbeirinho

Let’s fight

Let’s chase

Let’s try

More and more

Let us ask

My friends

My enemies

It is time of peace

We will

Raise the flag of solidarity

To our @joaobonbeirinho

Life Is only worth

Life only serves

If it is to serve

Ladies

Gentlemen

From Oiapoque to Chui

Reach out your hands

To @joaobonbeirinho

Reach to the sky

Pray to the Lord of life

For the life

Of @joaobonbeirinho



I believe!

I have faith

I am sure

That @joaobonbeirinho

Will get his transplant!



Come on!

Relay this appeal

Translate these verses

Cry out loud

Urge it to all

For the life of @joaobonbeirinho



Tradução:

Marino K. Poletine

PA Service Groups
QA Engineer - Sustaining / Linguist
Sony Electronics Inc. VAIO of America

@joaobombeirinho II

Vamos amigos
vamos todos
vamos formar uma grande corrente
vamos pedir
vamos rezar
vamos suplicar
um transplante de medula osséa
para o nosso anjo @joaobombeirinho
tuiteiros do Brasil uni-vos
facebukeiros do Brasil uni-vos!!!
todos de todos as raças
de todos os credos
por favor!
Vamos doar
vamos se doar
pelo nosso anjo
@joaobombeirinho
Vamos lutar
vamos buscar
vamos tentar
mais e mais
vamos pedir
meus amigos
meus inimigos
a hora é da paz
vamos
levantar a bandeira da solidariedade
pelo nosso @joaobombeirinho
a vida só vale
a vida só serve
se for para servir
senhoras
senhores
do Oiapoque ao Chuí
erguei vossas mãos
por @joaobomberinho
pedí aso céus
ao Senhor da Vida
pela vida
de @joaobomberinho


Eu acredito!
Eu tenho fé
tenho certeza
que @joãobombeirinho
vai recerber seu transplante!

Vamos!
Repasse esse apelo
traduza esses versos
clame
conclame a todos
pela vida de @joaobombeirinho

terça-feira, 17 de maio de 2011

Ah! Mundaú!

Ah! Mundáu
outrora caminho
para a negra liberdade.
Munde hu
cilada do rio.
Teus peixes de lâmina
sustento e vida para
os pobres e ricos.
Ah! Mundaú
nasces alí
nas terras dos Garanhuns
e vens lento
lento
lento
quase silêncioso
até chegar no mar.
E vens
lambendo
teu vale
acolhendo as cidades
que te despeja
lixo e cocô.
E
chegaram as usinas
e tome tiborna
matando teus peixes
Meu Deus que horror!
E veio a ganância
da mão usineira
adeus bambuzal!
Adeus adeus ingazeira!
...e hoje Mundáu
teu leito açoreado
e de vez em quando
suspiras profundo teu grito de morte
teu grito de dor
por ruas e casas
por culpa
do inumano homem
e do governo,a omissão.
Ah! Mundaú!

sábado, 14 de maio de 2011

não,não, eu não quero mais o progresso.
esse pregresso não me interessa
não tô nem aí pra ele.
quero as matas de volta
o cerrado
a mata ciliar do meu Mundáu
destruida que foi pela ganância
das Usinas.
Foda-se para tanta soja
foda-se para tanto canavial!
Puta que os pariu
esse tal pre-sal...
Não eu não quero mais saber
de hidrelétrica
matando os rios.
Belo Monte
Belo Monstro
que vá para o caralho!
não dá pra ser bonzinho
não dá pra ficar calado
o que vou falar para os meu netos:
alí havia índio era alí uma floresta
__era tão belo o meu cerrado
isso sem falar da mata Atlântica__!
Não vou falar assim não!
Vou dizer
que:
o governo do Brasil
feito por um bando de capitalista
do mal
acabaram com tudo,porra!

domingo, 8 de maio de 2011

Drumomond e um poema de mãe

.

PARA SEMPRE



Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.



Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.



poema: Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 6 de maio de 2011

João Bombeirinho

esse menino pode
e vai conseguir
a vitória!

esse menino é puro
sonho é pura alma límpida
como a sagrada manhã

esse menino
carrega dentro do peito
o calor
da nossa alma solidária
:uma
fala aqui
um bate papo ali´
um twitter lá
um retwitter acolá
e
está feito
o cordão
da união
das almas
solidarias
se espalhando
pelos quatro ventos
João Bombeirinho
como te amamos
como te queremos
e não há distância
que empate o nosso afeto
por ti.
E saíbas João
juramos
todos, nós todos
que estaremos
ao ao teu lado
do teu lado
e
ganharas
o transplante
e trasnplantaras teus sonhos
um dia
em favor
daqueles
que ainda irás salvar.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

alguns poemas do Chacal

O OUTRO

só quero
o que não
o que nunca
o inviável
o impossível

não quero
o que já
o que foi
o vencido
o plausível

só quero
o que ainda
o que atiça
o impraticável
o incrível

não quero
o que sim
o que sempre
o sabido
o cabível

eu quero
o outro


(De BELVEDERE (1971-2007). Rio de Janeiro: 7 LETRAS; São Paulo: COSACNAIFY, 2007)





SENTINELA



teu jeito de elefanta contraído me angustia.

quem sou eu, quem és tu nessa manhã que se anuncia?

sentinela, minha nega, estou tomado pelo teu sentimento.

posso dizer que um elefante passa em mim.

com seu passo lerdo, um tanto tardo de ser.

quando tu assoas tua tromba, sentinela, me assombra.

quem não ficaria sem ar com o teu passar resfriado

com teu ventre que abrange o mundo paralisado?

sentinela. sentinela quem te deu esse nome bacana?

por que sais de manhã toda trêfega e sós voltas sei lá quando?

sentinela, esse jeito avoado de quadrúpede no cio me assanha.

alguns te chamam elefanta, outros aliá e todos tem razão

menos eu sentinela, menos eu que sou assolado pelo

teu sentimento.

por que não vieste a esse mundo, um walk talk, um disc man ?

assim poderia operá-la ou escutar hendrix quando quisesse.

mas não. vieste elefante e para escutar teu berro lancinante



teu ronco visceral, fico impassível como um hidrante.

vai, sentinela, vai !

cambaleante pelas tuas do rio. boa sorte. seja feliz. até logo.



[da revista Inimigo Rumor n. 17, 2005]



DENTES DE AÇO

eu te arranco um pedaço com meus dentes de aço

e faço e refaço no peito e no braço

e te arranco um pedaço com meus dentes de aço



e você acha pouco e diz que eu sou muito louco

mas eu não dou carne a gato

e não vou pagar o pato dos teus sais dos teus ais



eu quero é mais

planetas estrelas cometas

virgínia Sofia Roraima



bem... não se fala mais nisso

até que você descubra

que a bomba H a bossa nova

está na ponta da língua


OSSOS DO OFÍCIO

sempre deixei as barbas de molho

porque barbeiro nenhum me ensinou

como manejar o fio da navalha



sempre tive a pulga atrás da orelha

porque nenhum otorrino me disse

como se fala aos ouvidos das pessoas



sou um cara grilado

um péssimo marido

nove anos de poesia

me renderam apenas

um circo de pulgas

e as barbas mais límpidas da Turquia



PAPAGAIO

estranho poder o do poeta.

escolhe entre quase e cais

quais palavras lhe convêm.

depois as empilha papagaio

e as solta no céu do papel



UMA OUTRA

se você acha que morar num apê

encardido we abafado rua Siqueira

campos um cabeça de porco botar

gravata todo dia para ir de ônibus

trabalhar na rua senador Dantas e

quando pinta tempo e grana batalhar

uma trepada se você acha que dormir

puto e acordar puto é uma eu já acho

é outra.





UMA PALAVRA

uma

palavra

escrita é uma

palavra não dita é uma

palavra maldita é uma palavra

gravada como gravata que é uma palavra

gaiata como goiaba que é uma palavra gostosa








De
NARIZ ANIZ

(da trilogia CARA A CORES)
Capa – desenho PicassoCapa
impressa em silk screen1979





vamos bater 1 papinho

bem popinho

vamos bater 1 pozinho



***



homem com cheiro de peixe

peixe com cheiro de homem



um por dentro do outro

nas marés de lua cheia

na praia dos idos de março

no píer da praça quinze

no barco



***



esses garranchos

como garrincha

garrelincha

e mata um João.



***



na prefeitura qui loucura;

entre os presidentes

os descontentes, cadê meus

dentes? Perdi

num acidente.



***



ontem hoje amanhã e sempre

a mesma coisa

às vezes varea

escassa rarea

vaza enche esvazia

depende do dia

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Um poema de Maiakóviski

Extraordinária aventura vivida por Vladimir Maiakóvski no verão na Datcha

A tarde ardia em cem sóis
O verão rolava em julho.
O calor se enrolava
no ar e nos lençóis
da datcha onde eu estava,
Na colina de Púchkino, corcunda,
o monte Akula,
e ao pé do monte
a aldeia enruga
a casca dos telhados.
E atrás da aldeia,
um buraco
e no buraco, todo dia,
o mesmo ato:
o sol descia
lento e exato.
E de manhã
outra vez
por toda a parte
lá estava o sol
escarlate.

[...]

Não quero mostrar medo.
Recuo para o quarto.
Seus olhos brilham no jardim.
Avançam mais.
Pelas janelas,
pelas portas,
pelas frestas
a massa
solar vem abaixo
e invade a minha casa.

[...]

Quem me mandou berrar ao sol
insolências sem conta?
Contrafeito
me sento numa ponta
do banco e espero a conta
com um frio no peito.

[...]

Conversamos até a noite
ou até o que, antes, eram trevas.
Como falar, ali, de sombras?
Ficamos íntimos,
os dois.
Logo,
com desassombro
estou batendo no seu ombro.
E o sol, por fim:
“Somos amigos
pra sempre, eu de você,
você de mim.
Vamos, poeta,
cantar,
luzir
no lixo cinza do universo.
Eu verterei o meu sol
e você o seu
com seus versos.”
O muro das sombras,
prisão das trevas,
desaba sob o obus
dos nossos sóis de duas bocas.
Confusão de poesia e luz,
chamas por toda a parte.
Se o sol se cansa
e a noite lenta
quer ir pra cama,
marmota sonolenta,
eu, de repente,
inflamo a minha flama
e o dia fulge novamente.
Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
Gente é pra brilhar
que tudo o mais vá prá o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.

(Tradução e “intradução” abaixo de Augusto de Campos)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

alguns poemas de Brecht para clarear as mentes

Bertold Brecht

Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis


Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem


O Vosso tanque General, é um carro forte

Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista

O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar


Perguntas de um Operário Letrado

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas


Elogio da Dialéctica

A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nòs queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nòs
De quem depende que ela acabe? Também de nòs
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aì que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã


Dificuldade de governar

1

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2

E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3

Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4

Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?


Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

salve meu parceiro marcelo dolabela

Baladilha à maneira de W. M.

eu tenho mais versos pra escrever
que dor ou arrependimento
se tu me dizes que me amas
penso sempre em fingimento
mas se berras que me odeias
eu tenho o mesmo sentimento

eu tenho mais boca pra comer
que dente sal e alimento
se eu não divido minha cama
é porque adoro o relento
e quando serves a ceia
prefiro um outro argumento

pois eu tenho mais versos pra escrever
com o nanquim do meu tormento

Marcelo Dolabela. Lorem Ipsu

O ABISMO E O ABISMO

tire o seu abismo do
abismo que eu quero passar com o meu
abismo hoje pra você eu sou
abismo
abismo não machuca
abismo eu só errei quando juntei meu
abismo ao seu
abismo não pode viver perto de
abismo
é no
abismo que eu vejo o meu
abismo o meu
abismo e os meus
abismo s rasos d'
abismo eu no seu
abismo já fui um
abismo hoje sou
abismo em seu
abismo


marcelo dolabela

MALETTA REVISITED

MALETTA REVISITED # 86

eu estou: nas maravilhas do mundo
no Coliseu da cidade
no naufrágio dos poetas
ouvindo scherherazade

é o zum-zum da matilha do mundo
da Muralha da China, o barulho,
a baunilha dos vagabundos

única geração que ouve
a triste balada dos mouros
o transplante das décadas
a arcádia sem fé e sem ouro.


marcelo dolabela

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Grande Tasso Da Silveira

A DANÇA EM FACE DE DEUS*

1

Senhor, em presença de tua Face,
eu dançarei.
Porque toda alegria e toda beleza
é ritmo e dança.
E a alegria absoluta
e o absoluto esplendor
são uma dança eterna.
Senhor, em tua divina presença,
eu dançarei.
Dançarei como as frondes, como as flores,
às brisas matinais.
Dançarei como as ondas, como as nuvens,
como os ventos oceânicos,
à ebriez dos horizontes sem fim.
Dançarei como os mundos,
as sagradas estrelas,
à hipnose da grande noite.
Senhor, em presença de tua Face
dançarei, dançarei,
dançarei....
dançarei....


2
Cantarei as estrelas, Senhor,
perpetuamente cantarei!
Porque elas são e serão sempre
o augusto deslumbramento,
o milagre, a alegria.
Porque elas permancerão para sempre intactas,
inatingíveis aos golpes
do nosso ímpeto de negação e destruição.
Porque elas são tua imagem,
teu símbolo na matéria.
Quando o homem houver despido
do seu manto de encantamento e de beleza
todas as mais esplêndidas realidades
deste mundo,
Quando houver desnudado de sentido
as árvores, os passários, as flores,
as montanhas, o mar, os ventos,
ainda as estrelas guardarão
seu perene fascínio,
seu magnetismo sobrenatural.
Quando em mais nada neste mundo
descobrir o homem vestígios
dDo absoluto do teu Ser,
- ainda as estrelas lhe dirão,
na sua pulsação infinita
e nos seus insondáveis abismos,
que tu existes, Senhor,
e és absoluto e eterno.
Até meu último canto
cantarei as estrelas.
Dos meus poemas humildes
nem todos se apagarão
na lembrança dos homens.
E nos poucos que fiquem
ainda estarei cantando
a estrelas eternas.
Senhor, até o fim de tudo
cantarei as estrelas,
perpetuamente as cantarei...

3
Senhor, esta água
clara e humilde que bebo
para matar a sede,
transubstancia esta água no teu sangue!
Senhor, este ar
que aspiro sôfrego
Porque meus pulmões sufocam,
Transubstancia este ar na tua alma!
Senhor, as cores e as formas,
as linhas puras de beleza
de todas as coisa do mundo
e que meu olhar procura ansiadamente,
e as harmonias, as músicas,
que são a água para a sede meus ouvidos,
transubstancia tudo isto no teu corpo,
como fazes com o pão e o vinho.
Torna eucarístico
tudo o que está em permanente contacto
com meu corpo eminha alma,
afim de que em tudo eu te sorva
e de ti me nutra
e me encha de ti a cada instante
Porque, senão, eu apodrecerei de todo.
Porque, senão, eu me desfarei em poeira,
Em poeira tão tênue
Que nem teus dedos sentirão...

4
Senhor, dá-me paisagens
infinitamente puras.
Dá-me paisagens virginais
sobre as quais meu espírito corra como um vento
que nunca tenha roçado as paludes trágicas,
nem nunca se tenha embebido do perfume
das mancenilhas mortais.
Senhor, dá-me paisagens unicamente feiras
- como as do deserto enorme, -
de areias e estrelas.

5
Meu corpo como as areais
que as águas primordiais
- as grandes águas virginais do mundo –
lavaram.
Meu corpo como as areias puras.
Minha alma como as estrelas
distantes na noite,
límpidas.
Minha alma como as estrelas intactas.
Então virás, Senhor,
porque serei como um espelho
nítido,
em que poderá refletir-se
Tua Face...


6
Criar, modelar, construir
até o Fim.
capturar as imagens
de nítidosrecortes,
ágeis e vivas
como os tigres elásticos,
e as corças tímidas...
Criar pensamentos
que desejam como serenos pássaros,
do mar,
ou como os livres ventos oceânicos.
Porque só eles trazem nas asas
o vasto e puro alento
das distâncias eternas.
Não vazar nunca
no molde frágil
dos apodrecentes desejos,
do tédio ignóbil,
das cobardias inomináveis.
Modelas apenas
as sagradas argilas
que as mãos de Deus amassaram,
porque só delas é que nascem
As formas imperecíveis.
Criar apenas ritmos límpidos e puros.
Cantar somente os cantos matinais
claros e nus...

9
A Lua
(tão essencial,
tão de Deus...)
do céu puro alumia
a paisagem desnuda:
a paisagem de árvores desfolhadas
erguendo braços quase humanos
na solidão vazia:
de árvores tão simples e nuas,
tão essenciais,
tão de Deus!
Senhor, bem sei que este quadro
é uma palavra tua...
Que por ele me chamas
em verbo de beleza
para uma simplicidade mais límpida,
para uma renúncia mais heróica,
para um desnudamento mais total...
11
Chopin, nós ficaremos sozinhos!
Quando todos os homens
forem, por fim, ajustados
como peças inertes
à grande máquina terrível,
nós, e os nossos irmãos dolorosos,
ficaremos sozinhos.
Quando todos os homens
se houverem perdido de todo
do seu sentido de eternidade
e da sua vocação de beleza,
nós ficaremos
infinitamente sozinhos!
Mas ainda assim continuarão perpetuamente
a comunicar-se conosco
as profundidades de tudo.
Ainda assim continuaremos
a comungar com as essências,
a ouvir as vozes do chão e das estrelas,
a receber as mensagens
das coisas e dos mundos.
Ainda assim,
do seio de uma solidão infinita,
prosseguiremos
em nossa confidência comovida
com Deus...

13
Falar com Deus perdidamente,
na oração que nem sabe que é oração,
no misericordioso encontro eucarístico,
na hora da dor incoercível, em que nada mais me alivia
[no mundo,
na hora da ansiedade infinita, em que nada mais enche
[a minha alma no mundo,
na hora da serena, ou da profunda alegria,
em que está mais próxima a compreensão gloriosa
do absoluto e do eterno.
Criar sonho perpetuamente,
desentranhar perpetuamente a beleza
da substância de todas as coisas.
Procurar a inocência.
No mais secreto desvão de todas as almas
procurar incessantemente a inocência.
Andar, andar, sem parar,
perpetuamente descobrir
a inocência e a beleza.
Falar perdidamente com Deus...


15
O sopro criador não soprou apenas nas origens.
Perpetuamente continuou.
Os homens é que se petrificaram.
Fizeram-se inertes como os rochedos
sobre os quais passa inutilmente
o grande vento da infinita solidão.
O sopro criador era talvez mais tênue nas origens.
Depois cresceu, se amplificou.
Se os homens não tivessem descido todas as flâmulas
da alta torre do Espírito,
elas a esta hora tremulariam violentamente
ao vendaval do Criador.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

São Jorge De Lima

Canto III
Poemas relativos
I
Caída a noite
o mar se esvai,
aquele monte
desaba e cai
silentemente.

Bronzes diluídos
já não são vozes,
seres na estrada
nem são fantasmas,
aves nos ramos
inexistentes;
tranças noturnas
mais que impalpáveis,
gatos nem gatos,
nem os pés no ar,
nem os silêncios.

O sono está.
E um homem dorme.

II
Queres ler o que
tão só se entrelê
e o resto em ti está?
Flor no ar sem umbela
nem tua lapela;
flor que sem nós há.

Subitamente olhas:
nem lês nem desfolhas;
folha, flor, tiveste-as.

E nem as tocaste:
folha e flor. Tu - haste,
elas reais, mas réstias.

III
qualquer voz alou-se
muito desejada.
Branco fosse o espaço
e ela ardente cor.

Quis o espaço a voz
a voz veio e ampliou-o.

Mas se não houvesse
propriamente voz...

Vamos nós supô-los:
dois sem seus sentidos.

Desejemos mesmo
dois incompreensíveis.

Bom nos ecoarmos
na voz recebida.

E o espaço esvaziado
povoá-lo de vez.

Amá-los tão sem
amada presença,
só com o coração
sem correspondência,
só com a vocação
do verso feliz.

IV
Numas noites chegamos à janela,
e as mandíbulas do ar tanto nos roem,
que os leitos rotos logo deliqüescem
com os nossos corpos complacentemente.

Certos dias olhamos o sol claro;
e a boca hiante das cores nos devora
carnes e sangues, poeiras de costelas,
que ficamos inúteis, sem matéria.

Essas bocas nos sugam noite e dia,
vigiando dia e noite nossas vidas
um minuto no espaço, menos que ai
de chumbo soluçado nos silêncios,
ou cal de fome longa, revelada,
na noite igual ao dia, de tão gêmeos.

V
Agora o sem senso
sorriso nos ares,
minha alma perdida,
os vales lá embaixo
de minhas lonjuras
de não existido,
parado nos antes,
nem sei de pecados,
nem sei de mim mesmo,
eu mesmo não sou
nem nada me vê;
ausentes palavras
não soam no vácuo
dos antes das coisas,
das coisas sem nexo,
nem fluidos. Só o Verbo
chorando por mim.

VI
Agora, escutai-me
que eu falo de mim;
ouvi que sou eu,
sou eu, eu em mim;
tocai esses cravos
já feitos pra mim,
suores de sangue,
pressuados sem poros
verônica herdada.
sem face do ser.

Embora; escutai-me,
que eu falo com a voz
inata que diz
que a voz não é essa
que fala por mim,
talvez minha fala
saída de ti.

VII
Alegria achareis neste poema
como poema ilícito, como um
corpo casual ou vão, como a memória
dura e acídula, como um homem se
conhece respirando, ou como quando
se entristece sem causa ou se doente,
ou se lavando sempre ou comparando-se
às dimensões das coisas relativas;
ou como sente os ombros de seu ser,
transmitidos e opacos, e os avós
responsabilizando-se presentes.

São alegrias rápidas. Lugares,
reencontrados países, becos, passos
sob as chuvas que não vos molharão.

VIII
Se falta alguém nesses versos
pele vento interminável,
pelas arenas de estátuas,
sucedam-lhe os cegos olhos
sacudidos pelos medos,
mãos de chuvas lhe inteiricem
o corpo com algas remissas
e com matérias tranqüilas
tão soturna como os poços,
exasperados invernos,
ombros de escova comida,
as asas secas caídas,
ante seus netos calados;
e incorporem-se a esse alvitre
esse sabor de cortiça,
essas esponjas morridas,
essas marés estanhadas,
essas escunas de espáduas
estritamente fechadas
como casas de abandono,
restringem-se os conciliábulos,
certos sigilos de pez,
certas coisas enlutadas,
refúgios, dramas ocultos,
pois as rosas são de trapos
e os fios menos que teias,
menos que finos agora,
e as camisas sem os pêlos
enterrados nas ilhargas,
vestem enganos e punhos
e crimes em vez de adegas,
mas tudo em vão, mesmo as plumas,
mesmo os ausentes e as vozes
aderidas a fragmentos
aí moram degredadas,
listrando as grades, de faces
que não conhecem espelhos

IX
Numa hora perdida cantos doeram. Os desejos
E flores despenteadas, flores largas e a barbárie
e inconfidentes quase abominadas dos corpos.
por oculta paixão, se intumesceram. E a relatividade
do espírito
Lírios eram pilares de cristal sob o cerco
subindo para as aves; então dardos da matéria.
desceram sobre os mais amados colos
cantando amor com seus sentimentos.

Canção melhor. Mais consentimentos puros olhos. Eu
sei de cor os rebanhos, e olho o mundo.
Tudo contém pequenas doces máscaras.
Mas da selva selvagem desce o pranto
dos que mastigam suas próprias fomes,
sem saliva de pão, e o gosto ausente.

Ninguém consegue assim amar os lírios.
E esse amor é amaríssimo e adstringente
com a memória das dores engolidas.

X
Vós não viveis sozinhos
os outros vos invadem
felizes convivências
agregações incômodas
enfim ambientalismos,
e tudo subsistências
e mais comunidades;
e tantas ventanias
acotovelamentos,
desgastes de antemão,
acréscimos depois,
depois substituições,
a massa vos tragando,
as coisas vos bisando;
os hábitos, os vícios,
as moças embutidas
mudando vossas cartas;
sereis administrados
no sono e nos pecados,
vós mapas e diagramas
com várias delinqüências,
e insanidades várias,
dosando o vosso espaço,
pesando o vosso pão
de tempos racionados;
e não tereis vivido
e não tereis amado,
porém sereis morrido.

XI
Éreis vós Tiago, Diogo, Jaques, Jaime?
Clodoveu ou Clodovigo?
Éreis vós por acaso eles?
Éreis vós aqueles nomes,
estes, e os demais já mortos,
os mortos tão renovados
nós mesmos sempre chamados
Lútero, Lotário, otário,
sim otário tão singelo,
tão puro de todo o mal,
relativo, universal.

Éreis vós Tiago, Diogo, Jaques, Jaime?
Dizei-me se acaso vós
éreis eles ou voz sou
de algum avo tão otário,
tão eu mesmo como voz,
como poema de outros vários.

XII

O simples ar
de uma só corda
em curta raia,
mão de menino,
punhado escasso,
ar perfumado,
sem o alvoroço
dos vendavais;
anjo acolhido
em róseo céu
abrigo instante,
pranto lavado,
chorar em ti
de arrependido,
subir teus vales,
amar teu pólen,
nunca escapar-me
de tuas pétalas
cair com elas.

XIII
Uma janela aberta
e um simples rosto hirto,
e que provavelmente
nela se debruçou;
e nesse gesto puro
do rosto na janela
estava todo o poema
que ninguém escutou;
só a janela aberta
e o espaço dentro dela
que o tempo atravessou.

XIV
O contro era um dia,
um dia futuro,
e dentro do dia
incluído o conforme,
e dentro o que foi
porque fora isso
se tal não se dera,
se o mundo parasse
e o espaço se excluísse;
se a pedra não fosse
o símbolo que era
pois tudo era um dia,
um dia sem dia,
porém com o poeta
que um dia seria.

XV
De manhã estrelas verdes
na inocência do ar coleado,
intranqüilas e veementes.
Ao zênite e areia em sede,
asas das hastes pendidas,
as nuvens-castelas altas
como painas amealhadas.
De tarde a visão das velas,
nuvens baixas sobre as verdes
rosas das hastes fictícias;
os desejos dissolvidos
repousam abertamente;
e esse deserto de vozes
e estes cabelos perenes
de seus nervos para os dramas.
Mas se as palmas fossem isso,
as fontes seriam pratas,
e as pratas seriam o
puro sonho de quem vive.
Todavia o sonho é como
as palmas dessas palmeiras.
Eis as palmas.

XVI
Os dois ponteiros
rodam e rodam,
mostrando o horário
irregular.
Horas inteiras
despedaçadas,
horas mais horas
desmesuradas.
Com seu compasso,
lá vem a morte
pra teu transporte,
e com os dois braços:
esta é tua hora,
levo-te agora.

XVII
Um te exalou
nessa incidência:
céu, terra, mar;
impermanência.
Outro te andou
te indo e te vindo
pra te juntares,
te convergindo
Quem te volou,
esse te deu
o sono no ar.
Esse te entoou
e te nasceu
sem te acordar.

XVIII
No dia seguinte:
chamamos de terra,
o poema te leva
te dana, te agita,
te vinca de cruzes,
te envolve de nuvens.
Quem sabe aonde vai
parar no outro dia?
XIX
Roteiros vencidos
compassam a festa:
a noiva está fria
no véu lamentado.
Três potros desfraldam-se
três faces transcorrem
no coche morrido,
em vão galopado.
O nome do noivo?
O nome da noiva?
O nome do diabo?
Três nomes corridos,
três sombras penadas
no drama calado.

XX
Aqui e ali
me encontrareis,
entre um poema
ou em seu curso,
além e aquém,
oculto e claro,
vivo ou demente,
ou mesmo morto,
ou renascido
como meu sósia,
intermitente,
ferida tórpida.
pulso de febre,
nesse cavalo,
naquela tinta,
naquele poema
quase alicerce,
quase esse infante,
esse anjo surdo.
Ia esquecendo:
eu e meu sósia
somos momentos
entrelaçados.
Ei-lo veemente
volta a seu palco,
sobe a uma origem,
desce de novo,
envolto ou nu,
esse homem gêmeo,
jamais verdugo,
mas palma incerta,
sendo meu pai,
meu filho e neto
e aquele longe
porém limiar,
malgrado e clâmide
aberta e alípede,
foi argonauta,
podia se-lo
se esse jacinto
não fosse canto,
canto de galo
crepuscular,
profusamente
cedo se oculta
por essas laudas
sem perceber
seu fácil ímpeto
ante a palavra
visualizada;
mas de repente
desaparece.
Agora eu surjo
naquela esquina,
naquele pórtico
falam de mim;
ouço transido
esses vocábulos
desconhecidos,
emerjo em rios
que vão passar,
mergulho em rumos
acontecidos,
sucedo em mim,
depois vou indo
fundo e arrastado
na correnteza
que é de repentes.
Morto incorrupto
guardo meus naipes
mais pressentidos,
intercadentes,
desordenados,
não há atavios,
não há disfarces,
dissolução
dos prantos largos
manando laivos,
lanhando aspectos;
desacredito-me
perante os leves,
nem sabedor
de alas longevas,
se o porvindouro
é puro exórdio
precocemente
desencantado;
se os seus presságios
remanescidos,
salvo-condutos
manifestados;
correm desvios
vulgares trilhos,
que todavia
prossigo em mim,
minha progênie,
uns dementados,
outros co-réus,
reconciliando-me
com os mutilados
e este glossário
que é de meu sósia;
abastecido
alego dores,
crescentes cargas;
me patenteio,
fico exaltado
sem parecer;
depois me espreito
na curva adiante,
simbolizado,
metade em mim
inda nascendo,
a outra metade
superlotada;
então me sano
excluindo as nucas
executáveis;
não evidentes
nem aberrante
me envolvo de alma,
doce alimária
com alguns anexos
aparelhados
para colher
belas paisagens
e outros petrechos
do sósia amado;
quero sofrer-me,
quero imitar-me,
fico empunhado
meu corpo no ar,
dependurado,
meio aderido
a alguns palhaços
insimulados,
portanto, instáveis,
muito insossos,
muitos até
beatificados;
ventos corteses
bem-parecidos
vêm agitar
nosso espantalho,
enquanto as aves
canoramente
se desaninham
de nossos braços,
ossos atados
a chão deitados,
chãos contestados
por figadais,
mas afinal
chãos estrelados
de algumas plantas
ambicionadas
por umas moças
que andando sós
se despetalam
e virar brisas,
fagueiras asas,
pelas janelas
passam nos vidros,
vão aos relógios
param os cucos,
e a vila fica
inteiriçada.
dormindo dentro
desse poema
recomeçado
por novo sósia.

XXI
As portas finais,
os cantos iguais,
os pontos cardeais,
sempre obsidionais.
Os tempos anuais,
as faces glaciais,
as culpas filiais
sempre obsidionais.
Os dois iniciais,
as dores tais quais,
os juízos finais
sempre obsidionais.

XXII
Era uma vinda,
dadas as luzes,
dadas as faces
que ali se achavam,
nenhuma espúria,
nenhuma enferma,
dadas as cores,
dadas as falas
que ali se achavam;
dadas as provas
dessas presenças
deu-se o milagre
em aços doces,
em gumes brandos
em chamas graves;
formou-se um gênio
pentangular
que começava
com a estrela Vésper,
riscando a noite
sem se acabar;
formou-se um lírio
na suave treva,
gerou-se um grito
de tantas vozes,
criou-se um fogo
correspondente,
jorrou-se um pranto
desabitado.
Era uma tarde:
ninguém sabia
o que no mundo
ia acabar.
Sei que houve portas
escancaradas,
sei que houve apelos
antiencarnados.
E houve um dilúvio,
mas era um fogo
desabrochado.

Meu São Jorge de Lima

O Grande Circo Místico


O médico de câmara da imperatriz Teresa - Frederico Knieps -
resolveu que seu filho também fosse médico,
mas o rapaz fazendo relações com a equilibrista Agnes,
com ela se casou, fundando a dinastia de circo Knieps
de que tanto se tem ocupado a imprensa.
Charlote, filha de Frederico, se casou com o clown,
de que nasceram Marie e Oto.
E Oto se casou com Lily Braun a grande deslocadora
que tinha no ventre um santo tatuado.
A filha de Lily Braun - a tatuada no ventre
quis entrar para um convento,
mas Oto Frederico Knieps não atendeu,
e Margarete continuou a dinastia do circo
de que tanto se tem ocupado a imprensa.
Então, Margarete tatuou o corpo
sofrendo muito por amor de Deus,
pois gravou em sua pele rósea
a Via-Sacra do Senhor dos Passos.
E nenhum tigre a ofendeu jamais;
e o leão Nero que já havia comido dois ventríloquos,
quando ela entrava nua pela jaula adentro,
chorava como um recém-nascido.
Seu esposo - o trapezista Ludwig - nunca mais a pôde amar,
pois as gravuras sagradas afastavam
a pele dela o desejo dele.
Então, o boxeur Rudolf que era ateu
e era homem fera derrubou Margarete e a violou.
Quando acabou, o ateu se converteu, morreu.
Margarete pariu duas meninas que são o prodígio do Grande Circo Knieps.
Mas o maior milagre são as suas virgindades
em que os banqueiros e os homens de monóculo têm esbarrado;
são as suas levitações que a platéia pensa ser truque;
é a sua pureza em que ninguém acredita;
são as suas mágicas que os simples dizem que há o diabo;
mas as crianças crêem nelas, são seus fiéis, seus amigos, seus devotos.
Marie e Helene se apresentam nuas,
dançam no arame e deslocam de tal forma os membros
que parece que os membros não são delas.
A platéia bisa coxas, bisa seios, bisa sovacos.
Marie e Helene se repartem todas,
se distribuem pelos homens cínicos,
mas ninguém vê as almas que elas conservam puras.
E quando atiram os membros para a visão dos homens,
atiram a alma para a visão de Deus.
Com a verdadeira história do grande circo Knieps
muito pouco se tem ocupado a imprensa.

Páscoa

Páscoa

E, de repente, abriu-se o imenso mar;
Atrás, a dor, à frente uma esperança;
Da escravidão, somente uma lembrança,
Porém muito deserto a caminhar.

Mais tarde rola a pedra singular.
Eis que surge, do Pai, nova aliança:
O Filho nos concede como herança,
Um lugar lá no céu onde morar.

Novamente, porém, a caminhada
Torna-se necessária e perigosa.
Mas o Mestre deixou, na longa estrada,

As marcas de uma cruz vitoriosa.
E disse: - É só seguir minhas pegadas
Que a casa encontrareis esplendorosa.


Gilsos Faustino Lopoes

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Guardados na memória

minha primeira viagem de trem a Maceió
o dia em que a tv entrou lá em casa
o dia que o rádio pegou fogo na sala
a sanfona do meu pai
os fogos da noite de Santo Antonio
o dia em que um boi solto na rua chifrou minha irmã
os curiós papa-capins e caboclinhos
a primeira segunda-feira que saí de casa
os olhos tristes do meu pai
o espanto de Brasília
a beleza do Araguaia
meu encanto pela serra do Curral
o sorriso de wãpurã
a voz de Wãpurã
o primeiro poema de Amayi
os primeiros passos de Apoena
a geográfica distância de Thainan
o primeiro susto do primeiro beijo
o coqueiro que plantei no quintal com meu pai
e que um dia o Mundáu levou


hoje sou assim e assado
com um par de olhos tristes
breados de ventos na cara
e reconto os dias de trás pra frente

Queridos objetos

um anjo de cedro
que ganhei da Mari
numa viagem a Ouro Preto
uma garrafa de saquê vazia
uma crônica de Antonio Prata__
de que sou personagem__
emoldurada
uma lata de azeite Musa
uma lata de tomate pelado Mastroiani
a receita de sangria
e um desenho de Teresa Berlinck
a capa do LP Planet Waves
uma gravura de Alberto Martins
as bolachas de chope
que Ivana Vollaro me troxe de Buenos Aires
uma forquilha de estilingue
que eu mesmo coretei de um leiteiro
aos doze anos
um canivete francês
um azulejo do Marrocos
um galo colorido
feito de sobras de madeira
comprado em Mogi das Cruzes
um livro sobre raça de cavalo
uma foto dos meus pais adolescentes
um DVD da Brigitte Bardot

são minhas companhias
nas noites imprestáveis
e nas manhãs em que me sento para escrever



Fabrício Corsaletti

domingo, 17 de abril de 2011

Jacques Prévert

.

JACQUES PRÉVERT

JACQUES PRÉVERT (Neuilly-sur-Seine, 1900 - Omonville-la-Petite, 1977) foi, entre outros ofícios, poeta, argumentista (de películas dirigidas por Jean Renoir e Marcel Carné, entre outros), letrista (de canções interpretadas por artistas como Juliette Gréco ou Yves Montand), tendo-se popularizado nestas duas artes ainda antes de ser conhecido como poeta. O seu primeiro livro de versos foi um sucesso de vendas e um fracasso de crítica. A editora francesa Gallimard, actual responsável pela reedição da obra poética de Prévert, recusou o seu primeiro livro “Paroles”, na pessoa de Jean Paulhan, com o argumento de que considerava os seus versos quotidianos “repugnantes”. Instigado por Henri Michaux (Namur, Bélgica, 1899 – Paris, 1984), Prévert cedo havia abraçado o surrealismo, no caso concreto, como se verá, com a dose certa de sarcasmo, absurdo e humor. A fotografia que ilustra este post é disso mesmo testemunho. Os poemas que se seguem foram retirados do livro "Poemas de Jacques Prévert”, edição Nova Fronteira (Rio de Janeiro, 2000), numa selecção e tradução de Silviano Santiago. Alguma sensação de estranheza que possa resultar, para o leitor português, da leitura deste ou daquele verso, nesta tradução para português do Brasil, é abundantemente suplantada pela informadíssima introdução e avisada selecção operadas por Silviano Santiago, a quem passo a roubar, com a devida vénia, estas três traduções. A primeira, devolve-me à memória certas telas de René Magritte; a segunda, certos poemas de Daniil Harms. Isto anda realmente tudo ligado.




PARA PINTAR O RETRATO DE UM PÁSSARO

Para Elsa Henriquez


Primeiro pintar uma gaiola
com a porta aberta
pintar depois
algo de lindo
algo de simples
algo de belo
algo de útil
para o pássaro
depois dependurar a tela numa árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta
esconder-se atrás da árvore
sem nada dizer
sem se mexer…
Às vezes o pássaro chega logo
mas pode ser também que leve muitos anos
para se decidir
Não perder a esperança
esperar
esperar se preciso durante anos
a pressa ou a lentidão da chegada do pássaro
nada tendo a ver
com o sucesso do quadro
Quando o pássaro chegar
se chegar
guardar o mais profundo silêncio
esperar que o pássaro entre na gaiola
e quando já estiver lá dentro
fechar lentamente a porta com o pincel
depois
apagar uma a uma todas as grades
tendo o cuidado de não tocar numa única pena do pássaro
Fazer depois o desenho da árvore
escolhendo o mais belo galho
para o pássaro
pintar também a folhagem verde e a frescura do vento
a poeira do sol
e o barulho dos insectos pelo capim no calor do verão
e depois esperar que o pássaro queira cantar
Se o pássaro não cantar
mau sinal
sinal de que o quadro é ruim
mas se cantar bom sinal
sinal de que pode assiná-lo
Então você arranca delicadamente
uma das penas do pássaro
e escreve seu nome num canto do quadro.

Auta de Souza

O BEIJA-FLOR
Auta de Souza (1876-1901)

Acostumei-me a vê-lo todo o dia
De manhãzinha, alegre e prazenteiro,
Beijando as brancas flores de um canteiro
No meu jardim – a pátria da ambrosia.

Pequeno e lindo, só me parecia
Que era da noite o sonho derradeiro...
Vinha trazer às rosas o primeiro
Beijo do Sol, nessa manhã tão fria!

Um dia foi-se e não voltou... Mas quando
A suspirar me ponho, contemplando,
Sombria e triste, o meu jardim risonho...

Digo, a pensar no tempo já passado:
Talvez, ó coração amargurado,
Aquele beija-flor fosse o teu sonho!

O Grande Cruz e Souza

A Dor


Torva Babel das lágrimas, dos gritos,
Dos soluços, dos ais, dos longos brados,
A Dor galgou os mundos ignorados,
Os mais remotos, vagos infinitos.

Lembrando as religiões, lembrando os ritos,
Avassalara os povos condenados,
Pela treva, no horror, desesperados,
Na convulsão de Tântalos aflitos.

Por buzinas e trompas assoprando
As gerações vão todas proclamando
A grande Dor aos frígidos espaços...

E assim parecem, pelos tempos mudos,
Raças de Prometeus titânios, rudos,
Brutos e colossais, torcendo os braços!



Autor: Cruz e Souza

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Meu São Jorge de Lima

Poema do Cristão - Jorge de Lima

.Porque o Sangue do Cristo
jorrou sobre meus olhos,
a minha visão é universal
e tem dimensões que ninguém sabe.
Os milênios passados e os futuros
não me aturdem, porque nasço e nascerei,
porque sou uno com todas as criaturas,
com todos os seres, com todas as coisas
que eu decomponho e absorvo com os sentidos
e compreendo com a inteligência
transfigurada em Cristo.
Tenho todos os movimentos alargados.
Sou ubíquo: estou em Deus e na matéria;
sou velhíssimo e apenas nasci ontem,
estou molhado dos limos primitivos,
e ao mesmo tempo ressôo as trombetas finais,
compreendo todas as línguas, todos os gestos, todos os signos,
tenho glóbulos de sangue das raças mais opostas.
Posso enxugar com um simples aceno
o choro de todos os irmãos distantes.
Posso estender sobre todas as cabeças um céu unânime e estrelado.
Chamo todos os mendigos para comer comigo,
e ando sobre as águas como os profetas bíblicos.
Não há escuridão mais para mim.
Opero transfusões de luz nos seres opacos,
posso mutilar-me e reproduzir meus membros, como as estrelas do mar,
porque creio na ressurreição da carne e creio em Cristo,
e creio na vida eterna, amém!
E, crendo na vida eterna, posso transgredir leis naturais:
a minha passagem é esperada nas estradas;
venho e irei como uma profecia,
sou espontâneo como a intuição e a Fé.
Sou rápido como a resposta do Mestre,
sou inconsútil como Sua túnica,
sou numeroso como a sua Igreja,
tenho os braços abertos como a sua Cruz despedaçada e refeita
todas as horas, em todas as direções, nos quatro pontos cardeais;
e sobre os ombros A conduzo através de toda a escuridão do mundo,
porque tenho a luz eterna nos olhos.
E tendo a luz eterna nos olhos, sou o maior mágico:
ressuscito na boca dos tigres, sou palhaço, sou alfa e ômega, peixe,
cordeiro comedor de gafanhotos, sou ridículo, sou tentado e perdoado, sou derrubado no chão e glorificado, tenho mantos de púrpura e de estamenha,
sou burríssimo como São Cristóvão e sapientíssimo como Santo Tomás. E sou louco, louco, inteiramente louco, para sempre, para todos os séculos, louco de Deus, amém!
E, sendo loucura de Deus, sou a razão das coisas, a ordem e a medida;
sou a balança, a criação, a obediência;
sou o arrependimento, sou a humildade;
sou o autor da paixão e morte de Jesus;
sou a culpa de tudo.
Nada sou.
Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam!

Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro.

Os textos de Jorge de Lima abrigam uma colossal possibilidade de leituras (a convivência entre a tradição e o novo, o vulgar e o sublime, o regional e o universal) refletem um artista em constante mutação, que experimentou estilos diversos como o parnasiano, o o regional o barroco, o religioso. Na sua multiplicidade, Jorge de Lima pertence a todas as épocas, mesmo se reportando a um tema ou uma situação específica, ao tocar em injustiças sociais que mudaram pouco desde o início da civilização e quando escreve sobre as grandes dúvidas de todos nós, "...da miséria humana, da tentativa de superação de nossas amarras e de nossas limitações.", explica o poeta e jornalista Claufe Rodrigues, leitor voraz de Jorge de Lima.

Ítalo Moriconi, poeta e professor de literatura brasileira na Uerj, autor, entre outros, de Como e por que ler a poesia brasileira do século XX, ao analisar a obra de Jorge de Lima (contrariamente à Ivan Junqueira quanto a questão de o poeta não ter alcançado fama por conta de sua obra ser, em parte, muitas vezes hermética e comprometida com o catolicismo), não acredita na hipótese de que a questão religiosa tenha atrapalhado a carreira do poeta: "Como poeta religioso Jorge de Lima nunca produziu nada com a qualidade de um Murilo Mendes em "Poesia liberdade". O lugar canônico de Lima vem dos sonetos, da sua primeira poesia modernista e, sobretudo de Invenção de Orfeu.".

Moriconi afirma que a maioria dos professores de letras não conhece bem nem Murilo Mendes nem Jorge de Lima e toca num ponto fundamental para a pouca visibilidade do poeta: "...como levar um poeta tão complexo a um currículo básico de graduação? Compartilhar Twitter Facebook
Tags: cristão, do, poema
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. Comentário de Marcilio Medeiros em 24 julho 2008 às 1:33 Nydia,
Jorge de Lima é um dos grandes da poesia brasileira, não é?
Como você também o admira, deixo aqui outro poema dele:

ANJO DALTÔNICO

Jorge de Lima

Tempo da infância, cinza de borralho,
tempo esfumado sobre vila e rio
e tumba e cal e coisas que eu não valho,
cobre isso tudo em que me denuncio.

Há também essa face que sumiu
e o espelho triste e o rei desse baralho.
Ponho as cartas na mesa. Jogo frio.
Veste esse rei um manto de espantalho.

Era daltônico o anjo que o coseu,
e se era anjo, senhores, não se sabe,
que muita coisa a um anjo se assemelha.

Esses trapos azuis, olhai, sou eu.
Se vós não os vedes, culpa não me cabe
de andar vestido em túnica vermelha. ..RSS
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