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sábado, 31 de agosto de 2013

Jorge de Lima ( Guerreiros de Jorge )

o trem que me levou

o trem que me levou
'a maceió
encheu meus olhos de espanto

o barulho do vagão
o apito soando
pelo mundo

os homens
falavam de política
do preço do açúcar

e eu era todo
olhar as paisagens

lourenço de albuquerque
rio largo
fernão velho
bebedouro

o rio mundáu
a lagoa mundaú
o mar! o mar!

meu deus!
maceió
era um formigueiro
de gente!

a primeira maçã
que comi
tão maravilhado
puro alumbramento
aos olhos do meu pai

aquele trem
que me levou 'a maceió
já não existe
perdeu-se
nas engrenagens do tempo


cícero gomes

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Jorge de Lima - O Nome da Musa (com Chico de Assis e Renata Sarmento)

eu vi o amor chegar

ele chegou
se instalou na sala
alegrou a cozinha
novo amor
tomou conta da minha vida
do quintal do meu quarto

novo perfume
sem ciume
senti o beijo do amor

nova canção
começo de primavera
sol banhando o mar
de maceió
tudo belo
tudo singelo

eu vi o amor chegar
desabrochou nova flor
e me ensinou novo jeito de amar




maiakosta

terça-feira, 27 de agosto de 2013

quero meu mar

quero meu mar
mar das alagoas
me esbugalhou de espanto
e beleza
os olhos de mario
de
andrade

quero minhas palmareiras
meus coqueirais
palmares
quero o rio
sujo de águas sujas
mas é meu
minhas lembranças
memória

quero meus sanhaços
meu sabiás
ainda

quero o jeito
a fala
da minha gente

aqui é correria
ninguém tem tempo
para o abraço
o amor

aqui é terra de todos
tudos
de ninguém

quero minhas tapiocas
chegas de moocas
e jabaquaras!
quero mais é ponta verde
pajuçara jaraguá

chega de manos
e minas!

quero meus oxentess
o falar puxado da minha gente


cícero gomes



sábado, 24 de agosto de 2013

povo do meu lugar

com muito sangue tupy
minha gente das ocas
olhos de flexa
aís e muita dor
sangue da terra

canto pra chamar chuva
canto louvo tupã
canto o nascer do sol
a cor da manhã

wassu
sou xucuru
sou kariri
tingui-botó
sou do sertão
da mata
fugi do mar
do homem mau

karapotó
kariri-xokó
da terra de jaciobá

aconã
jeripankó
karuazu
sou katokinn
kalankó
koiupanká

de poucas terras
pra viver sonhar

sou do ouricuri
toré meu tupã toré
dançar lutar pra viver


   (na direção de flavia virgínia)

maiakosta


jogos de encantar

...agora vem você
com jeito
gestos de encantar
só porque hoje é sábado
e minha alma inventou de vadiar
sair pelo mundo

ando tão sem poesia
aqui embaixo da linha
do equador

brasília tudo fede a latrina

...e os meninos quebrando tudo
fora do rumo


mas eu queria tua mão na minha mão
e sair  reinventando cantigas

tanto tempo que não vejo o pôr do sol
tanto tempo que não apanho chuva

escondi o meu sorriso
só pra engabelar a solidão

mas hoje
é sábado
posso me encantar


(na direção de yvonne)


maiacosta


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

poema em louvor da altaneria nacional

nossas campanhas são populares
nossas seguranças são sociais
nossos transportes são de massas
nossas iniciativas são privadas
nossas sociedades são anônimas
nossas informações são sigilosas
nosso sistema é pluripartido
nossa democracia é cardiovascular
e nossas empresass são todas Brás


Millôr

domingo, 4 de agosto de 2013

Amarildo

Amarildo

preto
pobre
favelado

uma queira de filhos
pra criar

servente de pedreiro
bacanudo da Rocinha

Amarildo
um barraco
de um cômodo

para a mulher
e os seis filhos
e tanta pobreza

num país
de tanta mentira
oficial

Amarildo
que num dia de cão
foi levado pela polícia

e nunca será mais visto...

Amarildo
foi levado pelo Estado
foi tragado pelo Estado

e ponto final.