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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Lá Pras Bandas da Coxilha Rica

Nas terras de Nelson Camargo
há uma igrejinha parada no tempo
onde os santos
se resguardam do vento.
Vez em quando a campeira Nuna
sorrir de suas preces
e se emoldura de azul

Nas terras da Coxilha Rica
mugem ainda o gado Criolo
herança dos frades dos Sete Povos

há uma certa solidão
que atravessa os séculos
nessas paisagens

e dela sabe
a gralha
e as araucárias


quinta-feira, 28 de junho de 2018

meu poema


meu poema
não é um
acontecimento

é sem graça
cheirando à passado
daquilo que não passou




quarta-feira, 11 de abril de 2018

sr. do seu silêncio

meu pai era silencioso
sujeito de poucas palavras
senhor de todos os resmungos

sabia tudo de passarinhos
e possuía música nos dedos

seu sorriso
era raro como um cometa

domingo, 8 de abril de 2018

Preso

Preso na cidade
Mar de carros
E gente fria

Preso na  cidade
Montanhas de concreto
Olhos de pedra

Preso na cidade
Sem Deus
E poesia

Tudo aqui é
Sem sentido
Até mesmo o luar

Preso na cidade
Paulicéia Desvairada
Reaça pra caralho

Solta fogos
A má sorte
Do pai dos
Operários

E hoje a família
Dele não há.

domingo, 13 de agosto de 2017

Meu Pai

Era quase todo
De silêncio
Falava mesmo
Era com a sanfona

Os olhos miúdos
De índio
Mãos de artesão
Meu pai

Foi meu poeta
Nos conselhos
Que carrego
No alforje
Do meu peito

Meu Pai

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

a noite

a noite desabou
cidade eterna
repleta de silêncio
e mistério
minha alma notívaga
anseia por tuas palavras

ninfas
sibilas
tragam-me
em sonho
a doçura de sua
fala e mala.

a noite desabou
sobre mim
meus medos
os trovões da infância
a infame ira
dos desalmados

a noite
é tão triste sem ela
como
o poema
voz do meu querer



domingo, 7 de agosto de 2016

...de forest city

  alguém de forest city
da carolina do norte
lê sempre meus poemas
pelo google tradutor
nada comenta
apenas lê
apenas olha
...o que pensa esse alguém distante
desse pobre poeta comovido

sábado, 6 de agosto de 2016

malacacheta

 bamburrei sertão afora
...e teus olhos esmeraldas
se debruçaram sobre os meus ais
éramos atemporais como as sibilas de apolo
dafne do meu viver
dafne do meu sonhar
amor
que nada espero
loureiro dos meus encantos

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

cartas

  certo tempo
ganhei a vida
escrevendo cartas
de amor
para os vizinhos


 cartas repletas
de versos de castro alves
e casimiro

depois veio maiakovski


seus versos hiperbólicos
pareciam mentira
para as moçoilas
da minha vila

... lá se foi o meu emprego

depois
comecei a desembaraçar
 palavras
umas rimas mel com céu

...mas os clientes
já tinham ido.


nunca mais parei...