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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

garrincha

Garrincha

que mané que nada!
era a flexa Fulniô

e um anjo torto de pernas tortas
saltibanco
disfarçado
engalobando joões
mangado em dribles
só pára Deus sorrir

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

sentimentos

Sentimentos

amar é um chororô
dizia cavucando as unhas das mãos
zulmirinha do brejo.

a gente chora por fora
por dentro´
__é tudo misturado_

sentimentos molhados

sentir
porque bate o coração



boa noite tristeza!

amar é molhar a alma
com as lágrimas da dor
da emoção

sentimentos,
porque sentir
é nossa fala e mala

nossa caminhada na terra
até a última respiração


p ana maia nobre





sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

frio na espinha

Frio na espinha

peguei suas mãos
e eu já era todo precípício

azul

Azul

azul
azul
azul
quazul
quazar
azul
a
z
u
l

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

meu amigo casaldáliga

Meu Amigo Casaldáliga

amigo pedro,
tenho vivido todos os dias
desde que deixastes o araguaia
com meu coração agoniado

como agoniado
deve está teu coração__
pois você e o araguaia
são inseparáveis

para o povo xavante
de marãiwatsédé
uma nova aurora

  torí tem olhos de fogo
e trama tua morte,amigo

ontem liguei pra tua casa,pedro.
do outro lado da linha
uma voz feminina assustada
desconversava

sobre tuas costas o fardo leve
do evangelho
sobre teus dias de paupéria
o peso dos anos
e das malarias

teu coração catalão
padecendo da mais tenra solidão
longe...longe... do teu berokã

fico aqui amigo,
na distante barra funda
 de mario de andrade e inezita__

a espera de dias melhores
para que com tuas lambretas rotas
possas andar pelas ruas de são félix
abraçando o povo
no calor do araguaia
tua pátria
sertaneja
amazônica
brasileira






terça-feira, 30 de outubro de 2012

meu canto guarani-kaiowá

Meu Canto Guarani-Kaiowá

porque tantos mortos,Nhanderú?
porque tantas lágrimas?
tanta  sina de morte
guarani-kaiowá
zomba bêbado,o governador.

o sangue jorra silencioso
em arroio korá

as espingardas calibre 12
os ecoam e assobram as madrugadas

páí-tavyterã
teus filhos querem o paraiso, antes querem dançar a vida
empatada de sonho
__e a morte da destruição não deixa__


Escarro na sua cara,governo de merda!
Todos cúmplices do extermínio!

Escarro na sua cruz,sociedade de merda
cagada melada pelas patas dos bois
e da soja do agronegócio genocida.

Ah Sepé Tiarajú!
clama teu povo a resistência!

a terra sem males não há

foi engolida na braca mentira
na cachaça da integração
dos filhos de torí
olhos de fogo!

cada morte anunciada
é um grito no silencio
pelas filhas violadas
prostítuídas.
pelo trabalho alugado
no latifúndio que roubou
a terra guarani-kaioá

nhandeara rei dos deuses
acode teu povo


antes que tudo
acabe



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Tarde

Tarde

Tarde
Tudo
Tarde

barra funda

Barra Funda

uma melancolia

canta comigo
por essas ruas centenárias
barra funda

domingo, 26 de agosto de 2012

tá escrito

Tá escrito

quando xanduquinha abandonou zé tapioca
ele aluou.

danou-se a correr pelas ruas de brejo santo
num sobe e desce ladeira
aos gritos:
__ acorda povo! aí vem o armagedão
com os jumetos do apocalipse, vai tudo
tumá no papêro!
tá escrito na tabaca de moisés e na briba de josafá!

entrou no cabaré de maria azul
aos berros:

__ acorda negada! vocês que tão aí fudendo
vão tudo se fudê. vão tudo tumá no fruvioco do cu!

aí entrou luzia brejeira no salão
com o sorriso alvo de entardecer:

__ vem me ensinar a boa nova lá no quarto, zezinho!


...e antes da pregação, luzia dançou um strip-tease
de esbugaiar os olhos de qualquer cristão.


e zé tapioca encontrou o paraiso
na buceta de luzia.