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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Maria Afiuni

Ah!


aqui da Barra Funda distante
meu coração prenhe de auroras
volve a ti Maria Afiuni
com a esperança de um dia
saber-te livre.
aqui da chuvosa Barra Funda
meu peito solidário clama
que os amante da bela liberdade
ergam as mãos e gritem por ti

que os curiós da minha terra
juntem-se num só canto
aos guardabarracos da centralámerica
todos num canto por ti Maria Afiuni 

covarde,mil vezes covarde
a justiça da injusta Venezuela!
o medo paira sobre a toga e martelo
desde La Guaira  a San Cristóbal.


enquanto continuas encarcerada Maria,
usa o teu livre pensar e viaja ao país
da tua infância._Ameniza a dor
e ajuda passar as horas.

fico por aqui @mariafiuni
batendo o meu tambor
até que um dia sejas livre
como a paloma blanca de tua juventude.




domingo, 30 de outubro de 2011

por um instante

Por um Instante


por um instante você
talvez
aqui
comigo
de
mão na mão
olhando o infinito.
por um instante você
talvez
aqui comigo
olho no olho
e o céu por testemunha
por um instante você
aqui
comigo
aquela música
aquele beijo
por um instante
nem mais que isso
você aqui
amor em mim
...e perdidos
no silêncio das palavras












segunda-feira, 10 de outubro de 2011

felicidade

Felicidade

contava os dias nos dedos
até chegar o domingo.
Matinê no Cine Glória:
O sinal do Cavalo Branco
O mão de Ferro
Roy Rogers
...o coração aos supapos
ao apagar das luzes
e a fita começar.
No the end __
uma tristeza infinda
de uma semana pesarosa
tão longa pra se acabar.

terça-feira, 15 de março de 2011

Ilimitado

Ilimitado


Ilimitado:do latim ilimitatu. No filme O Céu Que Nos Protege, do cineasta italiano Bernardo Bertolucci,há uma sequência memorável,inspirada em Jorge Luís Borges, em que é dito:''Por não
sabermos quando morreremos, achamos que é vida é inacabável, mas algumas coisas acontecem de vez em em quando,poucas,aliás.Quantas vezes você vai lembrar de uma certa tarde na infância,uma tarde que faz parte de você tanto que não imagina a vida sem ela.Mais umas quatro ou cinco vezes,talvez nem isso.Quantas vezes vai ver a lua cheia.Umas vinte, talvez,ainda assim tudo parece ilimitado''.



boniteza:

o por do sol do morro do Cruzeiro

a lua beijando a lagoa Mundaú

o amanhecer na chapada dos Guimarães

um Karajá no rio Araguaia  e o sol  se despedindo da tarde

o Luar beijando a praia de  Pajuçara

ah meu Deus! A serra da Barriga, a serra da Barriga!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Solidão

A Solidão

“A solidão, o sentir-se e saber-se só, desligado do mundo e alheio a si mesmo, separado de si, não é característica exclusiva do mexicano. Todos os homens, em algum momento da vida sentem-se sozinhos; e mais: todos os homens estão sós. Viver é nos separarmos do que fomos para nos adentrarmos no que vamos ser, futuro sempre estranho. A solidão é a profundeza última da condição humana. O homem é o único ser que sente só e o único que é busca de outro. Sua natureza – se é que podemos falar em natureza para nos referirmos ao homem, exatamente o ser que se inventou a si mesmo quando disse “não” à natureza – consiste num aspirar a se realizar em outro. O homem é nostalgia e busca de comunhão. Por isso, cada vez que sente a si mesmo, sente-se como carência do outro, como solidão”.

PAZ, Octávio. O labirinto da solidão e Post-scriptum; tradução de Eliane Zagury. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1984. p. 175.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Palavras

Palavras


E as palavras riscam.
Passamos por todas aquelas
querelas
com seus pares de sustos.

O entojo do purgante-de-jalapa manicado.
O peixe remoso.
A fruta verdolenga.
O disparate do azul arregalado.
O frege,o galeio,o saracotico, o peteco.
Desbarrela, trubufu espandongado!
O destempero da velocidade.

Enguiçosas
as palavras espeticam
escarrapacham
espantalham


enquanto
arrastamos
o silêncio
com os pés




(francisco marques)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Um trato com Nicolas Behr

Um trato com Nicolas Behr

um trato
com voce
Nicolas Behr

cante sua
braxília
brasília
 luxo
 lixo
e tudo
fede ao poder.

um pacto com voce
nicolas behr
cante o cerrado
eu canto a mata
atlantica

chore
o tamanduá
eu choro
o guará


afogo minhas dores
no mundáu
e voce
no paranoá



eu falo com voce
nicolas behr
desta paulicéia
desvairada
onde assola
o crack
o mijo nas calçadas


e te vejo concreto
objeto
entre quadras
superquadras
na mais imperfeita rima



um trato com você nicolas behr

depois de muito anos
mano, qualé ?
eu vou de rimbaud
voce de mallarme

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

de trem para arapiraca

De Trem para Arapiraca


meu pai falou apressado:
__vamo de trem prarapiraca!

...e eu ali
na janela do vagão
ao vento minha camisa voltaaomundo
e com olhos de espanto
decorando nomes
e paisagens.

o barulho do trem
e seu apito
balançavam
a minha meninice.

como achei grande
arapiraca
sua feira na segunda,
o mundo de tordas
enfileiradas,principalmente
o cheiro de fumo
eternizando no ar.

achei singela a igreijinha
do alto do cruzeiro.
a mesa farta de tio nezinho
a timidez de meus olhos
voltados para o chão.

foi a primeira vez que vi
a besta fera da televisão:
meus olhos quase pularam pra fora
com a correria dos cavalos
índios e tanto tiro.

ah! o tempo boi que traga tudo.
duas coisas achei grande por
demais no meu tempo de menino:
o mar de maceió
a feira de arapiraca.

pequenas coisas

Pequenas Coisas

pequenas coisas
deixavam meu coração
sossegado:
o cheiro da nossa velha casa
do café
da bolacha Simpatia da padaria do Lisboa.
O arroz no coco de minha mãe.
O pato ao molho pardo de Dona Ivanilda.
o bom mesmo eram as madrugadas:
o barulho do trem
dos galos.
a alegria disparada
no nascedouro das manhãs
na voz de estrondo do meu pai
a nos acordar pra vida.