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domingo, 27 de janeiro de 2013

lágrimas

sentimentos molhados.
sentimentos calados.
molho de uma verdade,
de uma emoção,
de um grito preso,
de uma tristeza revertida
uma alegria permitida.

linguagem ímpar
que nasce uterina,
escorridas
do querer ao não querer.
do nascer ao morrer...

elas não doem, nem corroem.
sagradas como sal,
não criam regos no
percurso facial

no silêncio recolhido ou em lugares mais vistos,
elas
amam
comemoram
esbravejam
odeiam
repulsam
e se despedem...

sua pátria, os olhos, são minas
do comando e descomando.
e, para cada hermética e aberta emoção,
esses orvalhos e gotas especifícas
tecem pautas, momentos,
histórias fracassos e vitórias.
na "caixa preta" do nosso coração.

ah mulheres!
lágrimas...lágrimas...lágrimas...
vítimas?
...medidas, comedidas,incompreendidas.
alavancas, faíscas de um eterno vulcão
por vezes enraizadas em em medos sombrios,
mas, sobretudo, sábias palavras das mais fortes,
jorradas com toda significação.


mulheres, mulherzinhas, mulheronas,
e daí ? todas choronas!
á todos os homens que
não as compreendem: elas são finitas.
tomam outro percurso quando não entendidas.
historicamente, a nós atribuidas, a mais sofisticadas
língua direta e universalmente benditas.

e aí homens obstinados, merecem esse trecho
cantado outrora, pelas mulheres fortes e decididas
do bando de lampião:
"se eu soubesse que chorando, empataria a viagem...
meus olhos eram dois rios que não lhe davam passagem!"




ana maia nobre
paris, 08 de janeiro 2013


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