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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

poemas de josé paulo paes

Acima de qualquer suspeita José Paulo Paes ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA a poesia está morta mas juro que não fui eu eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres car- los drummond de andrade manuel bandeira murilo mendes vladimir maiakóvski joão cabral de melo neto paul éluard oswald de andrade guillaume apollinaire sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos não adiantou nada em desespero de causa cheguei a imitar um certo (ou incerto) josé paulo paes poeta de ribeirãozinho estrada de ferro araraquarense porém ribeirãozinho mudou de nome a estrada de ferro araraquarense foi extinta e josé paulo paes parece nunca ter existido nem eu HINO AO SONO sem a pequena morte de toda noite como sobreviver à vida de cada dia? AO ESPELHO O que mais me aproveita em nosso tão freqüente comércio é a tua pedagogia de avessos. Fazem-se em nós defeitos as virtudes que ensinas: o brilho de superfície a profundidade mentirosa o existir apenas no reflexo alheio. No entanto, sem ti sequer nos saberíamos o outro de um outro outro por sua vez de algum outro, em infinito corredor de espelhos. Isso até o último vazio de toda imagem espelho de um si mesmo anterior, posterior a tudo, isto é, nada. DÚVIDA Não há nada mais triste do que um cão em guarda ao cadáver de seu dono. Eu não tenho cão. Será que ainda estou vivo? Data da última gravação: 8/10/98, 17h09 (o poeta faleceu em 9/10/98) poesia.net www.algumapoesia.com.br Carlos Machado, 2004 Poemas extraídos de: • "Acima de Qualquer Suspeita" A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não Fui Eu Duas Cidades, São Paulo, 1988 • "Hino ao Sono" Um por Todos (Poesia Reunida) Ed. Brasiliense, São Paulo, 1986 • "Ao Espelho" Prosas Seguidas de Odes Mínimas Cia. das Letras, São Paulo, 1992 • "Dúvida" Socráticas Cia. das Letras, São Paulo, 2001

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