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quarta-feira, 16 de março de 2011

Oração da Madrugada

Senhor,Ah Senhor se tu pudesses calar esses apitos desnecessários
que assolam a minha rua nessas horas de madrugadas não dormidas.
Todos dormem na minha rua:
a fofoqueira da esquina
o galhofeiro do quinto andar
o zelador meu único amigo
meu filho inocente ainda
e minha mulher.
Estou aqui,Senhor alma inquieta
com meus pensamentos escatológicos
sobre a ação do homem.
Penso no Japão,Senhor.
Na altivez daquele povo.
Terra de Mishima e Matsuo Bashô.
Como não pensar no código de honra dos samurais
a morte por haraquiri.
Duvido,Senhor,e tu também duvidas
que algum puxa saco
tenha a coragem de morrer por alguém
ou alguma causa!
São como lesmas,sebentos,
escorregadios fugidios,Senhor.
Quanta falta de dignidade humana
essa laia empesteia a terra
com sua lábia frouxa e subserviência.
Como é torpe,Senhor
a cambada dos puxa sacos.
É alta madrugada,Senhor!
Daqui a pouco os galos começam o canto
de acordar manhã.
E ja vejo ele,o espúrio o biltre
o nefelibata o energúmeno indo em direção
ao nobre saco do seu chefe.
Os mesmos elogios repetidos
e ele imbécil rindo pela centésima vez da velha piada
do seu senhor,Oh Senhor!
Pái não perdoai
essa raça
tão degradante a dignidade humana.
Senhor,como fizesses com Sodoma e Gomorra
manda uma nuvem de sal
e varre da terra para sempre
todos
os magotes de puxa sacos,Senhor
__e assim verás a vida mais amena e poética
Óh Pai!

Um comentário:

  1. Minh'alma sempre inquieta.
    Triste pensar no Japão...
    Lindo post! Parabéns poeta =)

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