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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

DA PAZ

  Eu não sou da paz.
  Não sou mesmo não. Não sou. Paz e coisa de rico. Não visto camiseta nenhuma não,senhor. Não solto pomba nenhuma não,senhor.
Não venha me pedir para eu chorar mais.Secou.
A paz é uma desgraça.
    Uma desgraça.
    Carregar essa rosa. Boba na mão. Nada a ver. Vou não. Não vou  fazer essa cara.
Chapada. Não vou rezar, Eu é que não vou tomar a praça.
Nessa multidão. A paz não resolve nada. A paz marcha. Para onde marcha
A paz fica bonita na televisão.Viu aquela atriz
No trio elétrico,
aquele ator
   Se quiser, vá você, diacho. Eu não vou. Atirar uma lágrima.A paz é muito organizada.
Muito certinha, tadinha. A paz tem hora marcada. Vem governador participar. E prefeito.
E senador. E até jogador.Vou não.
     Não vou.
     A paz é perda de  tempo.
     E o tanto que eu tenho pra fazer hoje. Arroz e feijão. Sem contar a costura.
Meu juízo não tá bom.A paz me deixa doente. Sabe como é
Sem disposição.Sinto muito. Sinto. A paz não vai estragar o meu domingo.
     A paz nunca vem aqui no pedaço. Reparou
Fica lá.Esta vendo
Um bando de gente. Dentro dessa fila demente. A paz é muito chata. A paz é uma bosta.
Não fede nem cheira.A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Tá uma coisa que eu não gosto:
esperança. A pz é muito falsa. A paz é uma senhora. Que nunca olhou na minha cara.
Sabe a madame
A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida.A paz precisa de sangue.
       Já disse. Não quero.Não vou a nenhuma passeata.Não saio não.
Não movo uma palha. Nem morta. Nem que a paz venha bater na minha porta. Eu não abro.
Eu não deixo entrar. A paz está proibida. Proibida. A paz só aparece nessas horas. Em que
a guerra é transferida. Viu
Agora é que a cidade se organiza. Para salvar a pele de quem
A minha é que não é. Rezar nesse inferno eu já rezo. Amém. Eu é que não vou
acompanhar andor de ninguém. Não vou.
       Sabe de uma coisa: eles que se lasquem.
       É.
       Eles que caminhem. A tarde inteira. Porque eu já cansei. Eu não tenho mais paciência.Não tenho. A
paz parece que está rindo de mim. Reparou
Com todos os terços. Com todos os nervos. Dentes estridentes. Reparou
Vou fazer o quê, hein
       Hein
       Quem vai ressuscitar meu filho, o Joaquim
Eu é que não vou levar a foto do menino para ficar exibindo lá embaixo. Carregando
na avenida a minha ferida. Marchar não vou,muito menos ao lado da polícia. Toda vez que eu vejo
a foto do Joaquim dá um nó. Uma saudade. Sabe
Uma dor na vista. Um cisco no peito. Sem fim.
Uma dor.
         Dor. Dor. Dor
         Dor



    in Rasif
       mar que arrebenta
       Marcelino Freire
  



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