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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

a serenata

uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos
a pele assaltada de indecisão.
quando ele vier, porque é certo que vem,
de modo que vou chegar ao balcão sem juventude
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
__só a mulher entre coisas envelhece.
de modo vou abrir a janela, se não for doida
Como a fecharei, se não for santa




(adélia prado)

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