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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

trem de alagoas

o sino bate,
o condutor apita o apito,
solta o tem de ferro um grito,
põe-se logo a caminhar...

__vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...

mergulham mocambos
nos mangues molhados
moleques mulatos,
vëm vë-lo passar.

__adeus!
__adeus!

mangueiras, coqueiros
cajueiros em flor,
cajueiros com frutos
já bom de chupar...

__adeus, morena do cabelo cacheado!

mangabas maduras,
mamões amarelos,
mamões amarelos
que amostram, molengos,
as mamas macias
pra gente mamar...

__vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...


na boca da mata
há furnas incríveis
que em coisas terríveis
nos fazem pensar:

__ali mora o Pai-da-Mata!
__ali  é a casa das caiporas!

meu Deus! já deixamos
a praia tão longe...
no entanto, avistamos
bem perto outro mar...

danou-se! se move
se arqueia, faz onda...
que nada! é um partido
já bom de cortar...

cana-caiana
cana-roxa,
cana-fita,
cada qual a mais bonita,
todas boas de chupar...

__adeus, morena do cabelo cacheado!

__ali dorme o Pai-da-Mata!
__ali é a casa das caiporas!

__vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar...


(salve o mestre Ascenso Ferreira!)

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