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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

poema relativo

vem,ó bem-amada
junto 'a minha casa tem um regato
(até quieto o regato).´
não tem pássaros que pena!
mas os coqueiros fazem,
quando o vento passa,
um barulho que 'as vezes parece
bate-bate de asas.

supõe, ó bem-amada,
se o vento não sopra,
podem vir borboletas
'a procura das minhas jarras
onde há flores debruçadas,
tão debruçadas que parecem escutar.

todos os homens tëm seus crentes,
ó bem-amada:
-os que pregam o amor ao próximo
e os que pregam a morte dele.

mas tudo é pequeno e ligeiro no mundo,
ó amada.
só o clamor dos desgraçados
é cada vez mais imenso!


vem, ó bem amada.
junto 'a minha casa
tem um regato até manso.
e os teus cabelos podem ir devagar
pelos caminhos:
-aqui não há inquietação
de se atravessar o asfato.

vem, ó bem-amada,
porque como te disse
se não há pássaros no meu parque,
pode ser, se o o vento
não soprar forte
que venham borboletas.
tudo é relativo
e incerto no mundo.
também tuas sobrancelhas
parecem asas aberta.




(jorge de lima)

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